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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Notícias : Igreja Católica manifesta repúdio à PEC 241: ‘Os pobres serão as vítimas principais desta política contra a vida’

A proposta de Emenda Constitucional 241/2016 focaliza a transferência de recursos públicos das áreas sociais para o pagamento de juros e para a redução da dívida pública. Estabelece um “Novo Regime Fiscal”, encaminhado para a Câmara de Deputados no dia 15 de junho de 2016. Esta medida de contenção asfixiante, parte de uma premissa falsa segundo o Economista Francisco Funcia, da PUC- SP, que seria a grave situação econômica do país; em nota à imprensa, foi divulgado pelo Ministério da Fazenda, em 24 de junho de 2016: “A situação do Brasil é de solidez e segurança porque os fundamentos são robustos. O país tem expressivo volume de reservas internacionais e o ingresso tem sido suficiente para financiar as transações correntes. As condições de financiamento da dívida pública brasileira permanecem sólidas neste momento de volatilidade nos mercados financeiros em função de eventos externos. A dívida publica federal Nacional conta com amplo colchão de liquidez”. Como se verifica na declaração não há no país uma situação caótica que exija um ajuste tão violento e brutal, a ponto de “congelar” as despesas federais no patamar dos valores de 2016, por um prazo de 20 anos. 


domroberto

1. Qual o objetivo é finalidade da PEC 241?

A agenda explícita desta proposta é como está na argumentação do governo interino: “estabilizar o crescimento da despesa primária, como instrumento para conter a expansão da dívida pública”. Esse é o objetivo desta proposta de Emenda à Constituição”. No entanto traduzindo para os efeitos reais da sua aplicação, significa cortes drásticos na saúde, educação, habitação, transportes, etc … para priorizar o absoluto do déficit nominal e da dívida pública. Esta visão econômica, que volta aos anos 90 da hegemonia neoliberal e do Acordo de Washington, deixa claro que a dívida está muito acima da vida do povo e que a economia para ser sanada exige o sacrifício da população especialmente aqueles que não estão incluídos no mercado. Para confirmar esta assertiva o Ministro Henrique Meirelles se posiciona em entrevista do 01/07/2016: “As despesas com educação e saúde são itens que … junto com a previdência, inviabilizaram um controle maior das despesas nas últimas décadas. Educação e saúde inviabilizam ajustes”. Trata-se não só de limitar despesas mas de desconstruir a Arquitetura dos direitos sociais que consolidou o sistema de seguridade social da CF de 1988, quer se eliminar o Estado Social de Direito desmontando o SUS, levando-o a falência e colapso total.


2. Se passar esta PEC letal, quais serão as consequências para nossa população?

Se a PEC for aprovada, serão perdidos não somente os direitos sociais inscritos na Constituição Federal, mas a qualidade de vida da população brasileira sofrerá um forte rebaixamento, voltando a expectativas de longevidade bem inferiores às atuais. No caso particular da saúde poderão provocar a ampliação de doenças e, até mesmo, mortes diante da redução de recursos para o financiamento do SUS nos próximos 20 anos. É importante não esquecer que está PEC estabelece que os valores de 2016 serão a base para a projeção de despesas até 2037, ou seja, que não está previsto o crescimento populacional, a mudança de perfil demográfico com o envelhecimento da família brasileira em condições de saúde mais precárias, que demandará mais o sistema, e da incorporação tecnológica crescente neste setor. Para ilustrar o recorte de recursos basta afirmar que esta proposta tivesse sido aplicada no período de 2003- 2015 teriam sido retirados do SUS R$ 314,3 bilhoēs (a preços de 2015), sendo somente no ano 2015, R$ 44,7 bilhões, cerca de 44% a menos do que foi efetivado pelo Ministério da Saúde no mesmo exercício.

É conveniente alertar também que a redução de recursos federais para o financiamento do SUS atingirão fortemente Estados e Municípios, pois cerca de 2/3 das despesas do Ministério da Saúde são transferidas fundo a fundo para ações de atenção básica, média e alta complexidade, assistência farmacêutica, vigilância idemiológica e sanitária, entre outras.

3. Existe outro caminho que os cortes na saúde, e o recuo nos direitos sociais?

A pesquisadora em saúde da ENSP/ FIOCRUZ e Diretora Executiva do CEBES, a Dra. Isabela Soares Santos, dá uma resposta positiva citando o Economista de Oxford Dr. David Stuckler que estudou a política econômica de austeridade em 27 países (1995-2011). Este renomado cientista gerou o chamado “multiplicador fiscal ” que mostra o quanto de dinheiro se consegue de volta com diferentes gastos públicos. Os melhores índices multiplicadores vem de gastos com educação e saúde, os piores com a defesa. Ele argumenta: “Saúde é oportunidade de gerar economia e crescer mais rapidamente. Se cortar em saúde, gera mais mortes, aumento e surtos de infecções por HIV, TB, DIP, aumento dos índices de alcoolismo e suicídio, aumento dos problemas de saúde mental, risco de retorno de doenças erradicadas. Saúde não deve ser cortada em situação de crise, pois os governos deveriam investir mais em saúde em tempos de crise, para sair dela”. Os próprios diretores do FMI criticam as políticas recessivas de inspiração neoliberal (site da BBC.com, 30 de junho de 2016), em vista disso, o tripé econômico de meta inflação, altos juros e superávit primário trás como consequências: o aumento da desigualdade, colocam em risco a expansão duradoura e prejudicam seriamente a sustentabilidade do crescimento.

4. Não seria o caso de ampliar os arranjos públicos privados e favorecer o seguro privado (PHI) para sair de crise?

Na verdade, nestes arranjos públicos privados o sistema público perde (maiores e mais complexas filas), o arranjo contribui para a iniquidade no financiamento no acesso e no uso, o arranjo não diminui a demanda por serviços e financiamento, o arranjo não contribui para os objetivos gerais do SNS (equidade, universalidade e solidariedade), não há evidência que o PHI alivie o SNS. É interessante constatar que a União Europeia proíbe os países membros de regular o PHI quando houver SNS, com o argumento de defender o “sistema estatutário”, que foi escolhido pela nossa Nação na CF/1988. Lamentavelmente o que vemos é uma aposta crescente no setor privado o que contribui para a segmentação do sistema de saúde brasileiro como um todo, introduzindo a lógica mercantil, abandonando a luta histórica do movimento sanitarista brasileiro que conseguiu a implementação do SUS e sua inserção na Carta Magna, garantindo saúde integral e universal para toda a população.

5. Que fazer para impedir a PEC 241 e os seus desdobramentos perversos na seguridade social e na saúde?

Em primeiro lugar é necessário ter clareza que esta desconstituição do SUS se apoia na ideologia do Estado Mínimo e no retorno a uma Democracia restringida, tutelada, com os direitos sociais à míngua. O problema para estes economistas sem coração é o estado, o tamanho do SUS. Em compensação não há medidas para penalizar os mais ricos, achatar as desonerações fiscais, ou para reduzir os juros: o ajuste acaba se concentrando nas despesas que garantem os direitos sociais como meio de criar superávits primários crescentes, visando a diminuição da dívida pública, de acordo com o economista e doutor em saúde coletiva do IMS-UERJ, Carlos Otávio Ocké-Reis. Na prática, assistiremos ao desmonte do SUS e a privatização do sistema de saúde, onde todo esforço para melhorar as condições de saúde das famílias brasileiras ficará à deriva, prejudicando os recentes avanços obtidos no combate à desigualdade e acesso universal à saúde coletiva.

Em segundo lugar devemos manifestar nosso repudio e indignação, pensando como sempre nos mais pobres que serão as vítimas principais desta política antipopular contra a vida. Conclamar a uma mobilização geral em defesa da Constituição, do Estado Social de Direito, da Seguridade Social e do SUS. O SUS é nosso, o SUS é da gente, direito conquistado, não se compra nem se vende! Que Jesus o Rosto da misericórdia do Pai, nos ilumine e nos fortaleça na caminhada e defesa de saúde integral e universal para todos os brasileiros(as).

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo de Campos e Referencial Nacional da Pastoral da Saúde

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Notícias : PF indicia oito pessoas em inquérito da Lava Jato envolvendo a Odebrecht

Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht S.A., está entre os indiciados. 

Nove pessoas da Andrade Gutierrez também foram indiciadas no domingo.

Marcelo Odebrecht preso pela Lava Jato (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba (Foto:Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão)

A Polícia Federal (PF) indiciou oito pessoas no inquérito da 14ª Fase da Operação Lava Jato envolvendo a empreiteira Odebrecht. O relatório foi protocolado na Justiça Federal por volta das 14h45 desta segunda-feira (20).
O presidente da holding Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, está entre os indiciados. Ele está preso na carceragem da PF, em Curitiba, desde 19 de junho.
Os crimes citados são fraude a licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime contra a ordem econômica e organização criminosa.
Foram indiciados:
- Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da holding Odebrecht S.A.
- Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht
- Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, diretor da Odebrecht
- Márcio Farias da Silva, diretor da Odebrecht
- César Ramos Rocha, diretor da Odebrecht
- Celso Araripe de Oliveira, funcionário da Petrobras
- Eduardo de Oliveira Freitas Filho, sócio-gerente da empresa Freitas Filho Construções Limitada
- João Antônio Bernardi Filho, ex-funcionário da Odebrecht
O G1 entrou em contato com a Odebrecht, mas, até as 15h30, não obteve resposta sobre o indiciamento das pessoas ligadas à empreteira. Anteriormente, a empresa já havia negado irregularidades em contratos com a Petrobras.

Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Otávio Marques de Azevedo, presidente da AndradeGutierrez (Foto: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Agora, o Ministério Público Federal (MPF) vai analisar o indiciamento da PF para oferecer ou não uma denúncia envolvendo as empreiteiras à Justiça Federal. Se houver denúncia e o juiz federal Sérgio Moro aceitá-la, os denunciados passarão a ser réus.
Condenações
Nesta segunda, três executivos afastados da Camargo Corrêa foram condenados por lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. São eles: Dalton Avancini, Eduardo Leite e João Ricardo Auler. Foi a primeira sentença contra dirigentes de empreiteiras na Lava Jato.
Relembre
A 14ª fase da Lava Jato foi deflagrada no dia 19 de junho e cumpriu 59 mandados judiciais envolvendo, além da Odebrecht, a construtora Andrade Gutierrez – no domingo (19), nove pessoas foram indiciadas pela PF no inquérito relacionado à empreiteira. Entre elas, está o presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo.
Segundo o MPF, as empresas tinham esquema "sofisticado" de corrupção ligado à Petrobras, com depósitos no exterior.

O delegado da PF Igor Romário de Paula já tinha afirmado, à época da deflagração desta etapa da operação, que havia indícios bem concretos, com documentos, de que os presidentes das empresas tinham "domínio completo" de atos que levaram à formação de cartel e fraude em licitações, além de pagamento de propinas.
Além de Marcelo Odebrecht, outras 11 pessoas foram presas na 14ª fase da Lava Jato, como o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo. Destas, quatro foram soltas.
Continuam presos Marcelo Odebrecht, Otávio Marques de Azevedo, João Antônio Bernardi, Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo, César Ramos Rocha, Alexandrino de Salles e Elton Negrão.
Calados em depoimento
De acordo com delegado federal Eduardo Mauat da Silva, nem todos os investigados falaram nos depoimentos. Cinco presos, relacionados à Odebrecht, optaram por ficar em silêncio, entre eles, Marcelo Odebrecht.
“Foi dada a oportunidade para que cada um expusesse a sua versão, mas é um direito constitucional permanecer em silêncio para evitar a autoincriminação”, disse o delegado.
Já era esperado que eles ficassem calados, uma vez que a advogada Dora Cavalcanti informou a decisão na quinta-feira (17). "Enquanto os peticionários estavam soltos, esse respeitável Departamento de Polícia Federal do Paraná ignorou solenemente seu propósito de esclarecer os fatos, e não se dignou a marcar um único depoimento de nenhum", diz trecho da petição protocolada na Justiça Federal, em Curitiba.

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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Corrupção : Campanha de doação a condenados “sabota e ridiculariza o cumprimento da pena”, diz Gilmar Mendes

Ministro do Supremo ironiza e sugere que Delúbio Soares, que arrecadou mais de R$ 600 mil em um dia, use a mesma expertise para recuperar parte dos 100 milhões desviados no esquema do mensalão


Brasília – (atualizado às 23h02) O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou nesta sexta-feira, 14, em carta enviada ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que a arrecadação de doações para ajudar condenados no mensalão a pagar multas fixadas pela Corte “sabota” e “ridiculariza” o cumprimento das penas. Mendes também sugeriu que os petistas façam uma “vaquinha” para devolver “pelo menos parte dos R$ 100 milhões subtraídos dos cofres públicos” pelo esquema do mensalão.
“A falta de transparência na arrecadação desses valores torna ainda mais questionável procedimento que, mediando o pagamento de multa punitiva fixada em sentença de processo criminal, em última análise sabota e ridiculariza o cumprimento da pena – que a Constituição estabelece como individual e intransferível – pelo próprio apenado, fazendo aumentar a sensação de impunidade que tanto prejudica a paz social no País”, disse o ministro na carta.
Num ofício anterior, Suplicy havia cobrado explicações do ministro sobre declarações que levantaram dúvidas sobre o processo de arrecadação de doações. “E se for um fenômeno de lavagem?”, havia perguntado Mendes dias antes. Na quinta-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, interpelou judicialmente o ministro para que ele explique as declarações.
“Não sou contrário à solidariedade a apenados. Ao contrário, tenho certeza de que Vossa Excelência liderará o ressarcimento ao erário público das vultosas cifras desviadas – esse, sim, deveria ser imediatamente providenciado”, afirmou Gilmar Mendes, em tom irônico, na carta.
“Quem sabe o ex-tesoureiro Delúbio Soares, com a competência arrecadatória que demonstrou – R$ 600.000,00 em um único dia, verdadeiro e inédito prodígio! –, possa emprestar tal expertise à recuperação de pelo menos parte dos R$ 100 milhões subtraídos dos cofres públicos”, acrescentou o ministro do Supremo, referindo-se ao desempenho da vaquinha do ex-tesoureiro do PT condenado.
Mendes ainda ressaltou o fato de que sites para arrecadação de doações para os condenados foram hospedados no exterior. “Sem subterfúgio que dificultem a fiscalização, como esse de usar sites hospedados no exterior para angariar doações moralmente espúrias, porque destinadas a contornar efeitos de decisão judicial”, afirmou.
Resultados. No processo de arrecadação de doações, Delúbio Soares conseguiu mais de R$ 1 milhão. O ex-deputado José Genoino recebeu mais de R$ 700 mil. Nesta semana foi lançada uma campanha para arrecadar dinheiro para ajudar o ex-ministro José Dirceu a pagar a multa de quase R$ 1 milhão.
Na carta, Gilmar Mendes fez referência a um artigo da Constituição segundo o qual “nenhuma pena passará da pessoa do condenado”. “A pena de multa é intransferível e restrita aos condenados”, disse o ministro. Ainda segundo o magistrado, a falta de transparência na arrecadação torna ainda mais questionável o procedimento.
Mendes disse que é urgente que se tornem públicos todos os dados relativos às doações que favoreceram os condenados pelo STF para que sejam submetidos a análises pela Receita Federal e pelo Ministério Público. Integrantes do Ministério Público, inclusive o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda analisam pedidos para que as doações aos condenados sejam investigadas.
Mendes, indicado para o cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem foi advogado-geral da União, foi alvo de críticas indiretas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada.
Nesta sexta, os petistas reproduziram frases semelhantes às ditas por Lula há uma semana. “Os prazos de desincompatibilização e filiação de magistrados para as eleições de outubro estão previstos em lei. Se o ministro quer fazer disputa política ainda dá tempo de se filiar e concorrer. O que não podemos aceitar é que ele continue usando a tribuna do STF para fazer política”, disse o coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio Carvalho, que organiza as vaquinhas para os petistas condenados.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Política : Partido Pirata do Brasil tem registro oficializado

Por Bruno Capelas

‘Piratas’ agora começará sua campanha para recolher 500 mil assinaturas e participar de eleições

SÃO PAULO – O Partido Pirata do Brasil (Piratas) divulgou nesta quarta-feira, 11, que oficializou seu registro em cartório na terça-feira, 10, dando o segundo passo para se tornar uma organização política com direito a disputar eleições no País.


A partir do registro, o partido tem permissão para ter conta jurídica própria, arrecadar dinheiro de maneira aberta e encaminhar a campanha de coleta de 500 mil assinaturas para conquistar a autenticação de legenda pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas próximas semanas, os tribunais eleitorais de cada estado deverão receber os nomes dos representantes do partido – ao todo, hoje a organização conta com 5 mil pessoas articuladas em todo o País.

Na rede
“Defendemos o livre compartilhamento de conhecimento e cultura, a transparência do Estado, a privacidade individual, especialmente nas redes, a defesa dos direitos humanos e o empoderamento popular”, explica o gerente de projetos Kristian Pasini, primeiro secretário-geral do Piratas.

O partido foi criado na internet, a partir do exemplo dos partidos piratas europeus – o primeiro deles surgiu na Suécia, em 2006, que hoje tem dois piratas como deputados no parlamento europeu. Na Alemanha, a legenda conta com 45 representantes regionais – entre 2011 e 2013, o brasileiro Fabrício do Canto foi um dos eleitos para o colegiado de Berlim.

No Brasil, depois de sua movimentação na internet, o partido teve fundação formal em um encontro realizado em julho de 2012, em Recife, com 101 pessoas.

Coleta
Ao contrário do Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva que buscou colher as assinaturas a tempo de participar das eleições de 2014 e fracassou em sua intenção, o Piratas não tem pressa. “Temos até meados de 2015 para conseguir participar das eleições de 2016, que é a nossa meta”, explica Pasini.

De acordo com o fundador Paulo Rená, a aspirante a legenda tinha a possibilidade de correr e tentar participar da próxima eleição, mas os riscos eram grandes. “A experiência frustrada da Marina mostra que a gente acertou. Se ela, que tem uma estrutura forte ao lado dela, não conseguiu, a gente também não conseguiria”, comenta.

O partido ainda não definiu sua estratégia para a coleta de assinaturas. O secretário-geral Pasini defende o diálogo com movimentos de rua, na esteira das manifestações de junho, enquanto Rená aposta na pulverização da campanha, uma vez que o partido tem poucos fundos para uma mobilização massiva.

“Um dos nossos planos previa que qualquer pessoa interessada pudesse imprimir um canhoto de assinaturas, preencher e entregar no seu município. Além disso, queremos aproveitar o momento eleitoral para agregar as pessoas nas discussões. Estamos tentando apurar se seria irregular ou não fazer a coleta de assinaturas em locais próximos aos das votações”, diz ele, lembrando que uma assinatura pode ser feita por pessoas vinculadas a outros partidos, e revela apenas o interesse de que o grupo exista como partido.

A escolha para 2016 tem outro ponto importante além do tempo para os Piratas: a ênfase na política local é uma das bandeiras do grupo. “Acreditamos que a unidade da vida em sociedade são as cidades. Queremos partir da base para seguir em frente com um movimento maior”, explica Pasini. Já Rená acredita que “em 2016, uma vitória de qualquer vereador do Partido Pirata em qualquer um dos 5 mil municípios do Brasil seria um grande feito para o partido”.



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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Jogos: Polícia do Rio descobre bingo com saída para fuga de jogadores

Proprietário foi preso e 17 máquinas foram apreendidas na Vila da Penha, zona norte

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

RIO - Policiais da 38ª Delegacia de Polícia (Irajá), na zona norte, descobriram um bingo clandestino que estava sendo montado na Vila da Penha, na mesma região. O proprietário, Guilberto de Oliveira Melo, foi preso e levado para a delegacia. No local foram apreendidas 17 máquinas de bingo já em funcionamento e material para instalar outras 50.

Segundo as investigações da polícia, Melo tentava implantar uma nova modalidade de jogos pela internet. A sala tinha uma saída de fuga para os jogadores e o esquema era montado no mesmo prédio em que há um posto de atendimento da Previdência Social.

Os bingos e as máquinas caça-níqueis foram proibidos em todo o Brasil.





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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Romário posta vídeo de apoio aos manifestantes e fala de falcatruas dos políticos

Romário diz que o país tem que mudar e que isso só irá acontecer se o povo continuar indo às ruas para protestar

O tetra-campeão mundial e deputado federal Romário grava vídeo de apoio às manifestações de protestos em todo o país. Romário fala também sobre o desperdício de dinheiro público para a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Nossos governantes têm que entender que os dias de falcatruas, sacanagens, roubos desonestidade e, principalmente, falta de respeito com o nossopovo... acabou isso”, avalia Romário.



terça-feira, 18 de junho de 2013

Em discurso sobre protestos, Dilma elogia manifestantes, PM e próprio governo

Em discurso em cerimônia no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira (18), a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil "acordou mais forte" depois dos protestos que ocorreram em dezenas de cidades na segunda-feira. Ela elogiou os manifestantes, a polícia, por não ter cometido excessos, e fez um autoelogio ao seu governo.

"Essas vozes, que ultrapassam os mecanismos tradicionais, os partidos políticos e a própria mídia, precisam ser ouvidas", afirmou em discurso durante lançamento do novo marco da mineração no Brasil.

"A minha geração sabe quanto isso nos custou. Eu vi ontem um cartaz muito interessante que dizia: 'Desculpe o transtorno, estamos mudando o país'. Quero dizer que meu governo está ouvindo essas vozes por mudanças", afirmou.

A presidente louvou o caráter pacífico das manifestações, inclusive de parte da polícia, mas observou que os "atos isolados de violência contra pessoas e patrimônio" deveriam ser punidos. "Toda violência é destrutiva."A mandatária disse ainda que "a grandeza das manifestações de ontem comprovam a energia da nossa democracia".

Segundo ela, porém, a violência "não ofuscou o espírito pacífico das pessoas que foram às ruas pacificamente pedir pelos seus direitos".
Dilma elencou ainda os diversos motivos que levaram milhares de pessoas às ruas de várias cidades do Brasil ontem.

"A mensagem direta das ruas é por mais cidadania, por mais escolas, melhores hospitais, direito de participação. Essa mensagem das ruas mostra a exigência de melhorias no transporte a preço justo, e o direito de influir nas decisões de todos os governos. Essa mensagem das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público e comprova o valor intrínseco da democracia, da participação dos cidadãos por seus direitos."

Ontem, em breve nota oficial, a presidente Dilma Rousseff defendeu as manifestações, desde que pacíficas. "As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem", afirmou a presidente em texto divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.


PM espirra spray de pimenta em manifestante durante protesto no Rio


Em Brasília, manifestantes conseguiram invadir a área externa do Congresso Nacional


Milhares de manifestantes tomam a avenida Faria Lima, em SP


Jovem é detida pela Brigada Militar durante protesto realizado em Porto Alegre


Cláudia Romualdo, comandante do policiamento de Belo Horizonte,
posa com manifestantes



Manifestações levam 250 mil às ruas pelo país.

Manifestantes em São Paulo, Brasil, na segunda-feira. Muitos brasileiros estão irados sobre questões como o alto custo de vida do país.

Manifestantes em São Paulo, Brasil, na segunda-feira.  Muitos brasileiros estão irados sobre questões como o alto custo de vida do país.
Mauricio Lima para The New York Times


O que começou com pequenos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, evoluiu para uma acusação mais ampla do custo elevado do país de viver e luxuosos novos projetos de estádios.

SÃO PAULO, Brasil - Manifestantes apareceram aos milhares nas maiores cidades do Brasil na segunda-feira à noite em uma exibição notável de força para uma agitação que começou com pequenos protestos contra o aumento dos ônibus de tarifa, em seguida, evoluiu para um movimento mais amplo por parte de grupos e indivíduos irado sobre uma série de questões, incluindo o alto custo do país de viver e luxuosos novos projetos de estádios.
Os crescentes protestos classificar entre os maiores e mais ressonante desde a ditadura militar do país terminou em 1985, com os manifestantes a numeração para as dezenas de milhares de pessoas aqui reunidas em São Paulo, a maior cidade do Brasil, e outras grandes protestos que se desdobram em cidades como Rio de Janeiro, Salvador , Curitiba, Belém e Brasília, a capital, onde os manifestantes fizeram o seu caminho para o telhado do Congresso.

Compartilhando um paralelo com os protestos antigovernamentais na Turquia, as manifestações no Brasil se intensificou após a dura repressão policial na semana passada stunned muitos cidadãos. Em imagens compartilhadas amplamente na mídia social, a polícia aqui foram vistos beating manifestantes desarmados com cassetetes e dispersar multidões, disparando balas de borracha e gás lacrimogêneo no meio deles.

"A violência veio do governo", disse Mariana Toledo, 27, um estudante de graduação na Universidade de São Paulo, que estava entre os manifestantes na segunda-feira. "Tais atos violentos por parte da polícia instilar o medo e, ao mesmo tempo, a necessidade de manter a protestar."

Enquanto a manifestação em São Paulo não foi marcada pela repressão generalizada que marcou um protesto aqui na semana passada, a polícia anti-motim em Belo Horizonte dispersa manifestantes com spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Em Porto Alegre, no sul do Brasil, os policiais também usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

No Rio de Janeiro, onde uma estimativa independente que o número de manifestantes em torno de 100.000, imagens televisivas mostraram manifestantes mascarados que tentam invadir edifícios públicos, incluindo o legislativo estadual, uma parte do que foi incendiada. Em Brasília, a polícia parecia ser pego de surpresa por manifestantes que dançaram e cantaram no telhado do Congresso, um edifício modernista projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Esses amplos protestos são relativamente incomuns no Brasil, com alguns analistas políticos brasileiros descrevendo o que parecia ser uma cultura política mais aceitação de elevados níveis de desigualdade de longa data e os serviços públicos precárias do que os cidadãos de alguns países vizinhos na América do Sul.

"A notícia perigoso anunciado nas ruas, a novidade que o Estado tentou esmagar sob os cascos dos cavalos da polícia de São Paulo, é que finalmente estamos vivos", a escritora Eliane Brum disse em um ensaio sobre os protestos.

Brasil agora parece estar girando em direção a uma nova fase de interação entre manifestantes e líderes políticos com a sua onda de protestos, que cristaliza este ano em Porto Alegre. Lá, um grupo chamado Movimento Fare Livre, que defende menores tarifas de transportes públicos, manifestações organizadas contra a subida das tarifas de ônibus.

Protestos semelhantes surgiram em maio, em Natal, uma cidade no nordeste do Brasil, e este mês, em São Paulo, depois que as autoridades levantaram as tarifas de ônibus pelo equivalente a cerca de 9 centavos a 3,20 reais, cerca de 1,47 dólares, levando a uma onda de manifestações que têm crescido em intensidade.

Enquanto a alta veio em um momento de crescente preocupação com a inflação, que continua alta mesmo com o crescimento econômico diminuiu consideravelmente, a raiva sobre o aumento também reflete a indignação mais amplo sobre sistemas de transporte público em São Paulo e em outras grandes cidades, que são atormentados por ineficiência, a superlotação e crime.

"Os protestos de hoje são o resultado de anos e anos de acordo com transporte caótico e caro", disse Érica de Oliveira, 22 anos, estudante que estava entre os manifestantes.

Um grande número de manifestantes em São Paulo na segunda-feira eram estudantes universitários, mas os profissionais de meia-idade e os pais com crianças em carrinhos também estavam presentes. A cena parecia ao mesmo tempo furioso e festivo. Alguns manifestantes haviam coberto bandeiras brasileiras sobre seus ombros, um segurava um cartaz que dizia: "O Brasil Colônia, até quando?"

Enquanto o protesto em Brasília incluiu fortes críticas de líderes do Congresso, muitos cartazes aqui em São Paulo não ira direto no Congresso, no governo federal, em Brasília ou mesmo em autoridades locais em nível estadual ou municipal. Ainda assim, os manifestantes em várias cidades focada em símbolos de poder do governo. Aqui em São Paulo, eles marcharam para o palácio do governador, no Rio, para o legislador estadual, e em Brasília, para o Congresso.

Fabio Malini, um estudioso que analisa padrões de dados em mídias sociais na Universidade Federal do Espírito Santo, disse que ficou impressionado com a recusa do movimento a ser definida por um único objetivo e por sua ampla utilização das mídias sociais, o que lhe permitiu evoluir rapidamente em resposta a várias fontes de tensão social e política no Brasil.

Uma questão surgindo à tona envolve raiva sobre projetos estádio em várias cidades antes da Copa do Mundo de 2014, que o Brasil está se preparando para sediar. Alguns projetos foram impedidos pelo excesso de custos e atrasos, as estruturas inacabadas de pé, como testemunho de uma injeção de recursos em arenas esportivas num momento em que as escolas e sistemas de transporte público precisam de atualizações.

"Os maiores protestos estão acontecendo em cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo", disse Malini. "Os brasileiros são a mistura de futebol e política de uma forma que é novo, e as vozes minoritárias estão a fazer-se ouvir."

Paula Ramon contribuiu com a reportagem de São Paulo, e Taylor Barnes, do Rio de Janeiro.
Este artigo foi revisado para refletir a seguinte correção:

Correção: 18 de junho de 2013

A legenda da imagem com uma versão anterior deste artigo incorreto o nome dado de Adolf Hitler.

Uma versão deste artigo apareceu na imprensa em 18 de junho de 2013, na página A 5 da edição de Nova York com a manchete: Milhares Reunir para protestos nas maiores cidades do Brasil.


Protestos Expandir no Brasil, alimentada por vídeo de brutalidade policial
Por ROBERT MACKEY



Vídeo de um repórter brasileiro, Pedro Ribeiro Nogueira, ser espancado por oito policiais durante um protesto que ele estava cobrindo em São Paulo nesta terça-feira.
Como o meu colega Simon Romero relatórios de São Paulo , mais de 200 mil brasileiros encheram as ruas de cidades de todo o país na segunda-feira, em protesto contra o alto custo de vida e os gastos extravagantes em estádios de futebol antes da Copa do Mundo do próximo ano, que se intensificaram como imagens da brutalidade policial contra manifestantes pacíficos espalhados em redes sociais.

Enquanto a dinâmica de táticas policiais de mão pesada, como o uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes pacíficos, ampliando ao invés de sufocar ecos dissidência acontecimentos recentes na Turquia - para não mencionar aqueles em Nova York, Oakland, Espanha, Síria , Líbia, Bahrein, Egito e Tunísia, em 2011 - algumas das imagens da repressão policial que agitou o mais raiva nas redes sociais não foram capturados pelos manifestantes ou correspondentes estrangeiros, mas por repórteres de jornais locais e emissoras de televisão.

Um relato impressionante do que a violência usada contra os manifestantes na semana passada na maior cidade do Brasil, em um vídeo visto por mais de um milhão de vezes no YouTube, foi narrado por Giuliana Vallone , repórter do site do jornal Folha de São Paulo que foi baleado na olho à queima-roupa por um dos policiais "tropa de choque" implantadas contra os manifestantes.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Senado aprova pagamento de bolsa mensal de R$ 2.000,00 para garotas de programa no Brasil

Uma proposta polêmica, de autoria da senadora Maria Rita, do Partido dos Trabalhadores, foi aprovada na tarde desta quarta-feira, 15, por maioria de votos. Trata-se do pagamento de uma bolsa mensal no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) para garotas de programa em todo país.

“O objetivo da bolsa é dar a essas mulheres a possibilidade de terem uma vida mais digna, pois o dinheiro deve ser prioritariamente utilizado com prevenção de doenças”, explicou a senadora.

Segundo ela, o projeto tem interesse público, pois também tem o objetivo de “disponibilizar pra clientela um serviço de melhor qualidade, já que as meninas poderão se cuidar melhor, pagar tratamentos estéticos, frequentar academias etc.”

O projeto de lei vai ser submetido à sanção da presidente Dilma e deve entrar em vigor até o início da copa de 2014.

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Fonte: portalnoticiasro.com.br

De biquíni fio-dental, Furacão da CPI se bronzeia em praia no Rio

Denise Rocha desamarrou o sutiã, para evitar marquinha. Ela estava com uma amiga, que a ajudou a passar bronzeador no corpo.

Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ
(Foto: Dilson Silva / Agnews)

Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ
 (Foto: Dilson Silva / Agnews)

Furacão da CPI denise Rocha na praia da Barra da Tijuca (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI denise Rocha na praia da Barra da Tijuca (Foto: Dilson Silva / Agnews)




Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ
(Foto: Dilson Silva / Agnews)

Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ
(Foto: Dilson Silva / Agnews)

Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)
Furacão da CPI, Denise Rocha, na praia da Barra da Tijuca - RJ (Foto: Dilson Silva / Agnews)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ustra diz que Dilma integrou grupo terrorista para implantar comunismo


Coronel reformado afirmou que lutou para evitar 'ditadura do proletariado'.
Ele falou à Comissão Nacional da Verdade e negou participação em crimes

Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974 (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974 (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)


O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe de órgão de repressão política durante a ditadura militar, afirmou nesta sexta-feira (10) em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) que a presidente Dilma Rousseff participou de "organizações terroristas" com intenção de implantar o comunismo no Brasil. Para Ustra, se os militares não tivessem lutado, o Brasil estaria sob uma "ditadura do proletariado".
Ao ser consultada pelo G1, a assessoria de imprensa da Presidência da República informou que ainda não tinha conhecimento das declarações de Ustra.
De 29 de setembro de 1970 a 23 de janeiro de 1974, Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, órgão de repressão política durante o regime militar.

Ele obteve na Justiça autorização para ficar calado durante o depoimento para o qual foi convocado pela Comissão Nacional da Verdade. Mas mesmo assim resolveu se manifestar. Ao chegar, pediu para fazer uma declaração inicial e depois respondeu a algumas perguntas.
“Todas as organizações terroristas, todas elas e mais de 40 eram elas, em todos os seus estatutos, seus programas está lá escrito claramente que o objetivo final era a implantação de uma ditadura do proletariado, do comunismo. O objetivo intermediário era a luta contra os militares, derrubar os militares e implantar o comunismo. Isso consta de todas as organizações”, afirmou.
Ustra se referiu à presidente Dilma Rousseff ao afirmar que não estaria falando à Comissão da Verdade se um regime comunista tivesse se estabelecido no Brasil.
“Inclusive nas quatro organizações terroristas que nossa atual presidenta da República, hoje está lá na Presidência da República, ela pertenceu a quatro organizações terroristas que tinham isso, de implantar o comunismo no Brasil. Então estávamos conscientes de que estávamos lutando para preservar a democracia e estávamos lutando contra o comunismo. [...] Se não fosse a nossa luta, se não tivéssemos lutado, hoje eu não estaria aqui porque eu já teria ido para o 'paredon'. Hoje não existiria democracia nesse país. O senhores estariam em um regime comunista tipo de  Fidel Castro [ex-presidente de Cuba]”, completou Ustra.

Nos anos 1960, a presidente Dilma Rousseff integrou as organizações clandestinas Política Operária (Polop), Comando de Libertação Nacional (Colina) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), dedicadas a combater a ditadura militar. Condenada por "subversão", ela passou três anos presa no presídio Tiradentes, em São Paulo (entre 1970 e 1972). No final dos anos 1970, no Rio Grande do Sul, ajudou a fundar o PDT, de Leonel Brizola. Em 1990, filiou-se ao PT.
Instrumentos de tortura
Indagado sobre o que eram os instrumentos de tortura pau de arara e cadeira do dragão e com que frequência eram utilizados contra os presos, Ustra respondeu: “Está tudo escrito no meu livro, não vou responder”.
"A titulo de cooperação, entreguei à Comissão da Verdade um livro com mais de 600 páginas onde detalho tudo, como era feitas as prisões, os inquéritos, tudo o que aconteceu. O meu depoimento que prestei está ali. Agi com consciência, agi com tranquilidade, nunca ocultei cadáver, nunca cometi assassinatos, sempre agi dentro da lei e da ordem. Nunca fui um assassino, graças a Deus nunca fui", disse.
Durante o depoimento, o conselheiro Claudio Fontelles apresentou documentos que apontam 50 mortes no DOI-Codi durante o período em que o órgão foi chefiado por Ustra. O coronel disse que não houve mortes na sede do órgão, mas "em combate".
"Eu não vou me entregar. Eu lutei, lutei, lutei. Tudo o que eu tenho que declarar eu já disse, está no livro. Neste momento, me asseguro o direito de me manter calado reforçando a decisão do juiz da 12ª  Vara de Justiça", disse.
Exército
O coronel reformado disse que fazia parte de uma "cadeia de comando" e que cumpria ordens.
“Eu era um agente do Estado, comandante de uma unidade militar dentro da cadeia de comando. Durante meu comando, nunca fui punido, nunca fui repreendido, recebi os melhores elogios da minha vida militar”, afirmou ao fazer a declaração inicial.
Ustra disse que não era ele quem deveria estar respondendo pelas acusações, mas sim o Exército. “Quem tem que estar aqui é o Exercito Brasileiro, que assumiu por ordem do Presidente da República, a ordem de combater o terrorismo e sobre os quais eu cumpri todas as ordens, ordens legais”, declarou.

Após o fim da audiência, em entrevista à imprensa, Fonteles rebateu a declaração de Ustra. Segundo o conselheiro, não se pode cumprir ordens ilegais. “Está no nosso direito penal que só se desculpa uma pessoa quando a ordem que ela recebe e cumpre não é manifestamente ilegal. Ordem de torturar, de matar, de fazer desaparecer, isso é manifestamente ilegal”, afirmou.

Para Fonteles, Exército, Marinha e Aeronáutica “são instituições fundamentais para a democracia” e não devem ser julgadas. “Esse é o grande equívoco, não está em julgamento nem nunca deverá estar as instituições militares”, disse, “maus agentes públicos é que denegriram o nome dessas instituições”.
Ex-agente também depõe
Antes de Ustra, o ex-servidor do DOI-Codi de São Paulo Marival Chaves Dias do Canto afirmou em depoimento à CNV, que, durante a gestão do coronel reformado, cadáveres de militantes mortos em centros clandestinos de tortura eram exibidos como "troféus" a agentes do órgão.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dr. Rey se filia a partido de Feliciano e deve tentar eleição para Câmara.

Dr. Rey se filia a partido de Feliciano e deve tentar eleição para Câmara. Médico disse que vai buscar ajudar o Brasil com políticas de saúde pública:http://bit.ly/13rkCli
Dr. Rey se filiou na última sexta-feira ao PSC, e deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados Foto: Divulgação

Dr. Rey se filiou na última sexta-feira ao PSC, e deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados
fonte: Terra.com

Alves vai 'examinar' ordem do STF para cassar condenados no mensalão

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), no plenário da Casa (Foto: Gustavo Lima/Ag. Câmara)

O presidente da Câmara, Henrique Alves, no
plenário da Casa (Foto: Gustavo Lima/Ag. Câmara)


O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, afirmou nesta sexta-feira (19) ao G1 que vai “examinar” a decisão do Supremo Tribunal Federal de determinar a perda de mandato dos parlamentares condenados no julgamento do mensalão. O acórdão do julgamento, divulgado no "Dário de Justiça Eletrônico", diz expressamente que cabe ao Poder Legislativo cumprir a decisão da corte de cassar os mandatos.
Indagado se cumpriria a decisão ou se discutiria o assunto em reunião com líderes partidários, Henrique Alves afirmou:
“Quando os processos chegarem examinaremos à luz clara da Constituição, como o Judiciário está fazendo com o que lhe compete.”  Quatro deputados federais foram condenados no julgamento do mensalão: José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT), e Valdemar Costa Neto (PR-SP).
O STF considerou que a condenação criminal de deputados gera a perda automática dos mandatos parlamentares. Caberia à Câmara cumprir "fielmente" a decisão do tribunal, sem submeter os parlamentares a processo interno.
“Não cabe ao Poder Legislativo deliberar sobre aspectos de decisão condenatória criminal, emanada do Poder Judiciário, proferida em detrimento de membro do Congresso Nacional. [...] Ao Poder Legislativo cabe, apenas, dar fiel execução à decisão”, diz trecho do acórdão publicado nesta sexta.
“A Câmara fará o que a Constituição determina. Como o Judiciário faz também”, disse Henrique Eduardo Alves, sem esclarecer se a interpretação que ele faz da Constituição é de que o Legislativo deve cumprir a determinação de cassar os mandatos dos deputados.

Controvérsia
No julgamento do mensalão, quatro ministros consideraram que a Constituição deixa a cargo da Câmara definição sobre perda do mandato de parlamentares, inclusive em caso de condenação criminal. Outros cinco fizeram interpretação diferente, entendendo que a cassação é automática e só cabe ao Legislativo cumprir a decisão do Judiciário.
O líder do PR na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), disse ao G1 que a questão da perda de mandatos foi levantada em reunião do colégio de líderes há duas semanas. Filiado ao PR, Valdemar Costa Neto é um dos parlamentares que podem perder o mandato.
“Há umas duas semanas tratavamos de outro assunto e surgiu essa questão no colégio de líderes. Henrique Alves disse que, no momento oportuno, quando for publicado o acórdão, vai reunir os líderes para decidir o que fazer. Disse que quer compartilhar a decisão com os líderes, para tentar chegar a uma posição única”, afirmou.
Garotinho disse ainda que os partidos estão divididos – parte acha que a Câmara deve cumprir de imediato a decisão do Supremo e a outra quer que seja aberto processo, com votação no plenário. “Já ouvi de outros colegas que há uma divisão clara. Não será uma decisão unânime. Eu me comprometi com o presidente a discutir isso com os demais líderes. Eu senti pela conversa que há divisões”, afirmou. Ele não quis adiantar a posição do PR.

Recursos
Os deputados condenados também tentarão manter o mandato em recursos no Supremo. O advogado José Antônio Duarte Alvares, que defende o deputado Pedro Henry (PP-MT), afirmou que vai entrar com embargos infringentes contra a perda automática de mandato.
Os embargos infringentes são um recurso exclusivo para aqueles réus que, embora condenados, obtiveram ao menos quatro votos favoráveis. Previstos no regimento do STF, servem para questionar pontos específicos da decisão e, se aceitos, uma condenação pode vir a ser revertida.
Para o advogado, esse tipo de recurso pode ser utilizado já que cinco ministros votaram a favor da perda do mandato, e quatro se posicionaram contra. Duarte Alvares disse ainda que aposta no voto do ministro Teori Zavaski, que não participou do julgamento do mensalão.
“Com certeza será atacada a questão da perda do mandato, até porque nesse pormenor nós temos quatro votos a favor. A perda do mandato cabe à Casa Legislativa. Entendo que a última palavra tem que ser dada por aqueles que foram eleitos pelo povo. E vamos arguir isso mais uma vez, até porque a composição do STF é diferente do que era e pode ser que eles entendam de outra forma”, afirmou ao G1.
Duarte Alvares também disse esperar que a presidente Dilma Rousseff indique, a tempo de julgar os recursos, um nome para a vaga do ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em novembro do ano passado. “Tenho esperança de que o ministro Teori Zavascki tenha posição diferente sobre a perda dos mandatos, e que os outros ministros mudem de opinião. E talvez haja tempo para que um novo ministro tome posse.”


Fonte: globo.com

sábado, 6 de abril de 2013

Presidente da entidade que ‘diplomou’ Feliciano foi indiciado pela PF e é réu em ações do MPF


Durou pouco a “emoção” de Marcos Feliciano com a “homenagem” que recebeu da Federação Brasileira dos Direitos Humanos. À 1h07,  início da madrugada de sexta-feira (5), o deputado-pastor expôs no Twitter, conforme noticiado aqui, o “diploma” que recebera da entidade horas antes. Nove horas depois, já haviam sumido do microblog de Feliciano a foto do “diploma de defensor dos direitos humanos” e a nota em que ele dedicava o feito ao Todo-Poderoso —“A Deus toda glória!.” Os vestígios foram apagados porque, no início da noite passada, o “homenageado” já havia se dado conta de que a frase que ornava com o episódio era outra: Adeus toda glória!.

Chama-se Elizeu Simões Fagundes Rosa o presidente da entidade que “diplomou” Marco Feliciano (PSC-SP). Trata-se de um personagem conhecido das autoridades federais que cuidam de apurar e processar delitos. Elizeu foi investigado e indiciado pela Polícia Federal em quatro inquéritos. Todos resultaram em ações do Ministério Público Federal. Em pelo menos duas dessas ações, o signatário do “diploma” de Feliciano já desceu ao banco dos réus –uma civil e outra penal.

Antes de presidir a federação que reconheceu em Feliciano méritos que poucos foram capazes de enxergar, Elizeu comandou outra entidade: Conselho Federal de Defesa dos Direitos Humanos. Embora o nome insinue, não é uma organização pública. Mas tenta parecer estatal. Em ação civil pública protocolada na 13ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, a procradora da República Luciana Loureiro Oliveira refere-se ao tal conselho nos seguites termos:

“[…] Constituída para ‘promover e defender os direitos humanos’, a entidade desempenha, em verdade, funções do poder público, sem qualquer autorização, ostentando denominação indevida, fazendo uso de símbolos públicos, e, valendo-se de fantasiosas prerrogativas, vem restringindo direitos de terceiros, na exata contramão dos objetivos que prega – a defesa dos direitos humanos.” A peça da procuradora Luciana pode ser lida aqui.

Em outro trecho, a petição fala de dinheiro: “Não bastasse a ilegalidade que reveste vários dos dispositivos do estatuto do Conselho Federal de Defesa dos Direitos Humanos, a entidade […] arregimenta pessoas incautas para que realizem cursos, chegando ao ponto de lhes prometer um fictício ‘emprego público federal’, acenando-lhes com possíveis salários de R$ 10 mil para ‘Delegado de Direitos Humanos’, R$ 6 mil para o cargo de ‘Defensor dos Direitos Humanos’ e R$ 3 mi para ‘Agente’, tudo conforme cartas acostadas ao Inquérito Policial.”

Luciana prossegue: “Dessas pessoas são igualmente cobradas taxas de inscrição nos valores de R$ 140,00 e R$ 80,00 para os cargos de ‘Delegados’ e ‘Defensores’, respectivamente. Além disso, a entidade ainda cobra o valor de R$ 30 para subsidiar a confecção das ‘carteiras funcionais’, como demonstram os recibos coletados no referido inquérito. Em termos bem simples, a entidade ré, com essas práticas, patrocina verdadeiro estelionato…”.

‘Insígnia da PF’

Noutra ação, dessa vez penal, Elizeu tornou-se réu graças ao procurador da República José Robalinho Cavalcanti. Ele resume a encrenca no cabeçalho da petição: “Estelionato. Entidade denominada Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, o qual seria presidido por Elizeu Simões Fagundes Rosa, autodenominando-se delegado chefe do referido ente. A entidade não teria nenhum vínculo com o poder público, porém usa insígnia assemelhada à da Polícia Federal, passando-se os membros da entidade por agentes públicos do governo brasileiro, utilizando-se de viaturas caracterizadas, carteiras funcionais, uniformes, bótons e até sedes fiscais com o nome de delegacias.”

Não é só: No diploma concedido pela federação do doutor Elizeu ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, lê-se que o portador do documento está “respaldado pela Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) […] e protegido pelo decreto 6.044/07” –foi editado por Lula em 12 de fevereiro de 2007, para instituir a “Política Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.” Nada do que está escrito no papel dado a Feliciano corresponde aos fatos.

Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil, declara: “A afirmação contida no diploma da Federação Brasileira dos Direitos Humanos não é verdadeira. A entidade não possui qualquer vínculo com a ONU e o título de Embaixador dos Direitos Humanos não existe dentro do Sistema ONU no Brasil. Aproveitamos a oportunidade para lembrar que o título é somente concedido pelas Nações Unidas e, em hipótese alguma, por quaisquer entidades externas ao próprio Sistema ONU.”

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República esclarece: citado em diplomas como o que foi entregue a Feliciano, o decreto presidencial número 6.044/07 não fornece amparo legal às atividades da federação presidida por Elizeu. Hoje, há no Brasil cerca de 300 “defensores dos direitos humanos” legalmente reconhecidos. Receberam o título ao final de processos submetidos à análise de um “grupo interdisciplinar” da secretaria da Presidência. Nada a ver com a federação de Elizeu ou entidades análogas.

Há mais: em 18 de outubro de 2011, o Grupo Tortura Nunca Mais enviou ofício ao procurador-chefe da Procuradoria da República na Bahia, Wilson Rocha de Ameida Neto. No texto, a entidade pede “a apuração de atividades ilegais realizadas pela Federação Brasileira de Direitos Humanos”. Anota que a organização do doutor Elizeu “vem se utilizando indevidamente do decreto 6.044/07”, para atuar como “entidade congregadora e protetora dos defensores dos direitos humanos.”

Relata-se no ofício um episódio supostamente ocorrido em 15 de outubro de 2011, num clube do município baiano de Ribeira do Pombal. Havia no ambiente pessoas da federação presidida por Elizeu. Diz o ofício: “Circulavam pelo evento com coletes, à semelhança daqueles utilizados pela polícia, portando crachá com o Brasão da República, que os identificava como Defensores de Direitos Humanos. Essas pessoas traziam consigo ainda um caderno de notificações.” Assina o texto José Antonio de Carvalho, coordenador-executivo do Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da Bahia.

‘Usurpação de Função Pública’

Cópia desse ofício foi enviada pela Procuradoria da República à Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência. Dali seguiu, em 19 de janeiro de 2012, para a Polícia Federal (ofício número 37/2012-SNPDDH/SDH/PR). Requisitaram-se providências para esclarecer os “indícios de suposta prática do crime de usurpação de função pública”. O pedido desceu à mesa do delegado Delano Cerqueira Bunn, da Divisão de Direitos Humanos da PF. Resultou num dos quatro inquéritos policiais em que Elizeu foi indiciado. Concluída a investigação, a encrenca foi devolvida à Procuradoria da República, na Bahia.

Alcançado pelo blog no escritório mantido em Salvador pela Federação Brasileira dos Direitos Humanos, Elizeu Rosa (à esquerda na foto) atribuiu os inquéritos policiais e as ações judiciais que o assediam a uma “perseguição do PT”. Como assim? “Queriam dominar o Conselho e fazer de laranja, para empurrar dinheiro público. Como não conseguiram transformar em laranja, jogaram a Polícia Federal em cima. Eu refuto todas as acusações.”

Elizeu disse que jamais foi chamado para prestar esclarecimentos. O repórter estranhou: a PF o indiciou sem ouvi-lo? E ele: “Fui chamado na Polícia Federal, mas na Justiça ainda não teve nenhuma audiência comigo para ser ouvido nesses processos.” Acredita que serão “arquivados”. Sustenta que todas as ações judiciais referem-se ao Conselho Federal de Direitos Humanos. “Deixei a presidência em 2010 e o conselho já foi extinto”, acrescenta Elizeu. Na sua versão, nada há na Justiça contra a Federação que concedeu diploma a Marco Feliciano.

Elizeu fala da federação não como presidente, mas como dono: “Eu tenho Oscip”, diz ele, referindo-se ao registro que o Ministério da Justiça concede às Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público. O repórter confirmou. A entidade de Elizeu foi registrada em 2011. Declarou um patrimônio de escassos R$ 5 mil. Vence no mês que vem o prazo para que a federação apresente à pasta da Justiça suas contas de 2012. “Não recebemos dinheiro público, somente doações dos voluntários. Além disso, ministramos cursos de cidadania, de ética, vários cursos para empresas e escolas. Algumas fazem contribuições.” Qual é o orçamento anual da entidade? “Isso não posso dizer. Só digo que não tem verba pública.”
Sobre o fato de a ONU ter tomado distância de sua organização, Elizeu declarou: “Quem emite o certificado não é a ONU, é a federação. Mas é a resolução da ONU que dá garantia aos defensores dos direitos humanos na sua atuação.”  O repórter insistiu: a representação da ONU no Brasil não reconhece sua entidade. E ele: “Ninguem no Brasil pode dizer isso, só quem pode dizer é a ONU dos Estados Unidos, que credencia e reconhece as entidades através das suas resoluções. No Brasil, eles não têm razão nenhuma para aprovar ou desaprovar entidades.”

E quanto à alegação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência de que o decreto presidencial 6.044/07 não legitima as atividades da federação? “Quem nomeia defensores de direitos humanos não é o governo, são as entidades. Defensor é um título da sociedade civil. É voluntário, não paga salário. Isso é um titulo honorífico.”

‘Capelão da ONU’

O nome de Elizeu Fagundes Rosa aparece também no site de outra entidade dita social. Chama-se “Conselho Superior de Ministros Religiosos, Capelães e Juízes de Paz Eclesiástico”. Ali, Elizeu é identificado como “ministro presidente”. À frente do seu nome aparecem as letras ‘Pr.’, como são identificados os pastores. O repórter quis saber: o senhor é pastor?  E Elizeu: “Não. É porque eu sou teólogo e ministro. Eles botam o ‘Pr’ porque a maioria dos evangélicos acha que todo mundo que é teólogo é pastor”.

Qual é a sua denominação religiosa? “Eu não tenho denominação certa, não. Eu acredito em Deus e Jesus Cristo, mas não tenho igreja firmada.” Estudou teologia? “Sou formato em teologia e sou estudante de Direito.” Curiosamente, o tal conselho eclesiástico também se jacta de possuir vínculos com as Nações Unidas: “Reconhecido na resolução 53/144/1998 da ONU”, anota o site. A entidade traz gravada na sua logomarca os dizeres como esse: “Autoridade Civil Religiosa.” Ou esse: “Trânsito Livre.” E mais esse: “Capelão das Forças de Paz da ONU.” A ONU, evidentemente, afirma que nada tem a ver com tudo isso.

A certa altura da conversa, Eliseu queixa-se ao repórter. “Só estão olhando essas coisas porque demos um diploma a Marco Feliciano. Aprovamos também um para o Jean Willys [deputado federal do PSOL]. Apenas não conseguimos contato com ele para marcar a data da entrega. Se já tivéssemos passado a ele ninguém diria nada. Querer sacrificar a minha pessoa porque dei um título a Marco Feliciano é muita baixaria, uma falta de respeito e de consideração.”

De resto, Elizeu disse que Feliciano é “ficha limpa” e sua igreja realiza um trabalho social “reconhecido”. “Amanhã, se ele for condenado por seus pares, se for cassado, nós cassamos também o diploma. Nossa entidade é apartidária e tem na diretoria pessoas de vários credos. O presidente é cristão, o vice é evangélico, o secretário é ateu, o tesoureiro é espírita, o ordenador é do candomblé. Somos uma entidade séria.”

Fonte: uol.com.br

terça-feira, 12 de março de 2013

Ministros do TCU ganham R$ 53 mil para viagens e 'escondem' os roteiros

11 de março de 2013 | 2h 07
FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
O Tribunal de Contas da União (TCU) blindou seus ministros da divulgação de viagens feitas com verba pública. Decisões do plenário impedem o cidadão comum de saber para onde, e com qual justificativa, as autoridades emitiram passagens aéreas bancadas pelo contribuinte. A justificativa é que informar deslocamentos pregressos, feitos nos dois últimos anos, pode trazer "risco à segurança" dos integrantes da corte.
A negativa foi dada em processos nos quais o Estado pediu, via Lei de Acesso à Informação, detalhamento das despesas com voos para "representação do cargo", ou seja, para cumprir compromissos supostamente institucionais, como palestras, solenidades, congressos e homenagens.
Por meio de uma resolução editada em 2009, os ministros do TCU asseguraram para si próprios, além de auditores, procuradores e subprocuradores do Ministério Público que atuam na corte, o direito aos bilhetes, concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a magistrados.
Segundo a norma de 2009, os integrantes do plenário teriam direito a gastar R$ 43,2 mil em voos com essa finalidade. O valor da verba foi atualizado e corrigido pelo IPCA, e, hoje, os ministros podem gastar até R$ 53 mil com viagens.
Para demais autoridades, o montante, atualizado, pode ser de R$ 26,9 mil ou R$ 17,9 mil.
Os dados completos das viagens eram fornecidos pela Secretaria de Comunicação do tribunal até 2011, mas os ministros recuaram. Com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, em maio do ano passado, passaram a negá-los.
Constrangimento. Os despachos em resposta ao Estado dos ministros Benjamin Zymler e Raimundo Carreiro não explicam como a integridade física dos ministros pode ser ameaçada com a divulgação de viagens pregressas.
Segundo fontes do tribunal, a negativa visa a evitar constrangimento, pois é comum as autoridades usarem a verba para viajar aos Estados de origem, nos fins de semana e feriados.
O TCU só abre agora a data e o valor dos voos, mas omite os destinos e as justificativas. As tabelas enviadas ao Estado mostram que só a ministra Ana Arraes consumiu R$ 40 mil em 39 viagens em 2012. Aroldo Cedraz usou mais R$ 30 mil naquele ano e mais R$ 37 mil em 2011, em 48 deslocamentos. Por que e para onde foram é uma incógnita.
Hermético. Na prática, o tribunal tem sido, nesse aspecto, mais hermético que os órgãos que fiscaliza. No Executivo e no Legislativo federais, as mesmas informações estão disponíveis na internet, sem a necessidade de pedido por meio da Lei de Acesso à Informação.
Para Cláudio Weber Abramo, diretor executivo da organização Transparência Brasil, não há justificativa para omitir os dados. "É a posteriori. Como falar em risco meses depois de as viagens terem ocorrido? É uma justificativa cínica", critica.
Segundo Abramo, a situação é "lamentável, mas esperada" num contexto em que cabe aos ministros julgar os pedidos de acesso às próprias despesas. No TCU, essas solicitações têm tratamento diferenciado, sendo apreciadas pela Presidência, e não pela Ouvidoria, com servidores de carreira. Há a possibilidade de apenas um recurso ao colegiado de ministros - no Executivo, são quatro. "Se eles podem decidir em causa própria, vão fazê-lo", comenta Abramo.
Conforme o TCU, uma decisão sobre a divulgação das viagens será tomada no futuro, quando o tribunal classificar as informações que, em seu entendimento, podem "se revestir de sigilo". Medida idêntica foi adotada na gestão de Carlos Ayres Britto na presidência do Supremo Tribunal Federal, que protelou por meses o atendimento aos pedidos, mas foi revogada.
As normas do TCU que tratam da Lei de Acesso à Informação, porém, não dão espaço para esse tipo de manobra.
Recurso. Na análise de recurso apresentado pelo Estado, a consultoria jurídica do TCU entendeu que a presidência do tribunal descumpriu a Lei de Acesso, pois não obedeceu aos prazos e tampouco apresentou os motivos da recusa. "A lei não prevê tal hipótese de dilação indeterminada de prazo na análise dos pedidos. (...) A análise em questão deveria ter sido realizada em sua completude", diz o relatório.
O relator, Benjamin Zymler, votou para que o caso fosse reanalisado, mas foi vencido pelo ministro Carreiro, que apresentou voto contrário, seguido pela maioria. No plenário, só André Luís de Carvalho votou com Benjamin Zymler.
A abertura de outras despesas tem sido negada pelo tribunal, a exemplo dos reembolsos de despesas médicas. As agendas dos ministros não são divulgadas na internet, o que favorece a discreta atuação de lobistas nos gabinetes. Mesmo que não tenham tarja de sigilosos, os processos não podem ser consultados, exceto pelas partes. Só após o julgamento, os relatórios técnicos são apresentados ao público.
Para Cláudio Weber Abramo, a pressão da opinião pública é que poderia mudar a situação e favorecer a abertura dos dados: "(Os ministros) só reagem com a faca no pescoço".
Limite. O Tribunal de Contas da União informou, em nota, que trabalha para, "o mais breve possível", classificar as suas informações e, assim, divulgá-las "nos limites da lei".
A corte não respondeu a nenhum dos oito questionamentos do Estado, enviados na quinta-feira. "Com o advento da Lei de Acesso, ao mesmo tempo em que se passou a permitir a qualquer cidadão pleitear informações aos órgãos públicos, também exigiu-se que determinados dados fossem resguardados", justificou o tribunal.

Fonte: estadão.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

VACA LOCKA : AS VACAS ESTÃO SOLTAS ! ! !






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