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terça-feira, 10 de maio de 2016

News: Teori Zavascki decidirá sobre ação do governo contra impeachment

Governo entrou no STF com mandado de segurança para anular processo.

Senado decide nesta quarta se abre processo e afasta Dilma por até 180 dias.

Temer encontra Renan e busca apoio a cortes (Ag O Globo)
O ministro Teori Zavascki foi sorteado como relator do mandado de segurança que o governo impetrou nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal para tentar anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que tramita no Supremo Tribunal Federal. Nesta terça, o governo ingressou, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff que tramita no Congresso Nacional. Como a sessão do Senado que decidirá sobre a abertura do processo de impeachment está marcada para esta quarta, a expectativa é que o Supremo se manifeste ainda nesta terça sobre o mandado de segurança. No mandado de segurança, o governo aponta que Cunha aceitou o pedido de impeachment, em dezembro, em retaliação a Dilma e ao PT, por votarem a favor da abertura do processo de cassação do deputado no Conselho de Ética da Câmara. IMPEACHMENT NO SENADO Possível afastamento de Dilma é analisado o mandato em jogo a cronologia da crise a comissão especial o parecer do relator argumentos de especialistas relatório aprovado votação na comissão próximos passos “Tal imoral proceder consistia em equilibrar-se entre governo e oposição a fim de barganhar apoio para o não recebimento da representação oferecida perante o Conselho de Ética. Ao primeiro, oferecia o arquivamento das denúncias contra a Presidenta da República; à segunda, oferecia o contrário, o acolhimento de alguma delas”, afirma a peça. A AGU diz que as “ameaças e chantagens” de Cunha não foram em vão junto ao governo. “No mesmo dia em que os deputados do PT integrantes do Conselho de Ética declararam voto pela abertura do processo administrativo contra o Presidente da Câmara, poucas horas depois, ele recebeu a denúncia por crime de responsabilidade contra a Presidenta da República. Era o fim do ‘leilão’”, diz outro trecho. As supostas chantagens de Cunha, continua a peça, não se limitaram ao acolhimento da denúncia contra Dilma. Durante o processo na Câmara, diz a AGU, o deputado também teria orientado os autores do pedido a aditarem o documento para atender requisitos legais; convocou sessões às segundas e sextas para acelerar o trâmite; e autorizou líderes a orientarem a votação das bancadas. A ação também ataca a escolha do relator do pedido na Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), classificada como “barganha imoral”, de modo que o relatório fosse contrário a Dilma. Em troca, diz a peça, Cunha apoiaria Arantes para lhe suceder no comando da Câmara. “A intenção do presidente da Câmara dos Deputados, pelas circunstâncias, foi apenas uma: trazer óbices quase que intransponíveis à defesa da Presidenta da República, na medida em que o próprio conjunto de fatos denunciados se tomou ‘incerto’, fazendo com que parlamentares discutissem outros fatos que não aqueles que integram o objeto da denúncia”, aponta outro trecho. Questionamento sobre 'justa causa' do processo Na entrevista à imprensa para explicar a ação, Cardozo disse que ainda poderá questionar junto à Justiça, por exemplo, a “justa causa” do processo. Trata-se de questionar se havia motivos concretos que justificassem a denúncia contra Dilma. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, já manifestou a possibilidade de a Corte analisar se atos imputados a Dilma configuram crimes de responsabilidade, função que cabe, em princípio, somente ao Senado. O pedido do governo diz, ainda, se basear em decisão do próprio STF que suspendeu o mandato de Cunha e o afastou da presidência da Câmara, na semana passada. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, disse em entrevista, que todo o procedimento da Câmara foi viciado por “desvio de poder”. O acolhimento da denúncia e outros atos posteriores no trâmite do impeachment, argumentou, se enquadram nos motivos apontados por Janot para afastar o peemedebista. Impeachment no Senado Atualmente, o processo de impeachment está em análise no Senado. A expectativa é que os senadores decidam em plenário, nesta quarta, sobre a abertura do processo de impeachment e o consequente afastamento da presidente por até 180 dias. Se isso acontecer, o vice-presidente Michel Temer assume a Presidência no período. Na madrugada desta terça, o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA) recuou e decidiu revogar a decisão que proferiu no dia anterior para tentar anular a sessão da Câmara que aprovou a abertura do processo de impeachment. O ministro José Eduardo Cardozo admitiu ter conversado duas vezes com Maranhão para antes de o presidente interino da Câmara ter anunciado, na manhã de segunda, a decisão de anular a votação. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que não acataria a decisão de Waldir Maranhão e determinou a continuidade da tramitação do processo de impeachment. Depois disso, Maranhão revogou a decisão.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Política : Cuba premia comunistas mais dedicados

Defensores do regime ganham do governo moradia em condomínios fechados com 'regalias' que contrastam com a realidade da maioria dos cubanos

Damien Cave* - The New York Times/O Estado de S.Paulo

Nos esplêndidos bairros desta cidade dilapidada, antigas mansões estão sendo reformadas com ladrilhos importados. Homens de negócios saem para comer sushi e voltam para casa a bordo de resplandecentes Audis. Agora, na esperança de se perpetuar, o governo está erguendo algo especial para si próprio: um conjunto residencial chamado Projeto Granma, com centenas de confortáveis apartamentos em um complexo fechado que terá escolas e cinemas.

"Há 29 anos, ganhávamos o que podia ser considerado um bom salário. Mas o mundo mudou", afirmou Roberto Rodríguez, de 51 anos, há muito tempo funcionário do Ministério do Interior e um dos primeiros a se mudar para o condomínio.

Cuba está em um período de transição. As revisões econômicas dos últimos anos subverteram as ordens de classe e de status estabelecidas, permitindo que os cubanos tenham pequenas empresas ou acesso a capital estrangeiro para ascenderem mais que muitos comunistas zelosos. À medida que esses novos rumos com vistas ao prestígio se abrem, desafiando o antigo sistema da obediência premiada, o presidente Raúl Castro redobra seus esforços para recompensar cidadãos fiéis e preservar sua lealdade.

O Projeto Granma e as "cidades militares" do mesmo tipo, que estão surgindo em todo o país, são formados por edifícios em estilo caribenho que lhes servem de garantia, reservados para os mais ardorosos defensores da Revolução Cubana, de 1959: as famílias ligadas aos militares e aos funcionários do Ministério do Interior. Com seus terraços, ares-condicionados e pinturas novas, os apartamentos premiam oficialmente essa classe média e são um sinal da nova economia híbrida de Cuba, na qual o Estado às vezes pode competir com empresas privadas.

A habitação é apenas um dos exemplos da influência cada vez maior das Forças Armadas no plano que Raúl idealizou para Cuba. Analistas afirmam que, no curto prazo, o presidente depende dos militares para aprovar mudanças e manter a estabilidade enquanto se dedica às suas experiências de liberalização econômica.

Entretanto, sua dedicação duradoura de soldado - além da atuação como ministro da Defesa por 49 anos - ameaça engessar mais uma instituição que muitas vezes minou mudanças que ameaçavam seu status privilegiado. "Eles (os militares cubanos) são os únicos que o seguirão se a reforma for bem-sucedida - ou mesmo se ela falhar", afirmou Hal Klepak, estudioso canadense que pesquisa as Forças Armadas cubanas.

Raúl e seu irmão, Fidel, desde seu passado guerrilheiro, sempre recorreram aos militares quando precisaram. Nos anos 60 e no início dos 70, quando os profissionais de Cuba abandonaram o país, oficiais em roupas civis mantiveram os ministérios funcionando e estatizaram as indústrias. A partir dos anos 90, depois da queda da União Soviética, as Forças Armadas sofreram um corte violento de pessoal - de um pico de 200 mil homens, para cerca de 55 mil. O excedente, entretanto, foi absorvido pela economia cubana.

Na presidência, Raúl acelerou o crescimento de uma oligarquia militar, como alguns estudiosos a definiram. O presidente da Comissão de Política Econômica, Marino Murillo, é um ex-oficial. O maior conglomerado estatal de Cuba, a Cimex, que, entre outras coisas, processa as remessas de moeda estrangeira dos cubanos residentes no exterior, é dirigido pelo coronel Héctor Oroza Busutin. O general Luis Alberto Rodríguez, genro de Raúl, é o mais alto executivo da holding dos militares, conhecida como Gaesa, que controla de 20% a 40% da economia cubana.

Mas, segundo os especialistas, entre as classes média e inferiores, a estima e a relativa riqueza se deterioraram. Os oficiais de carreira agora muito provavelmente têm amigos ou parentes que moram no exterior ou que visitam Miami e frequentemente regressam à ilha com iPhones ou roupas novas que não podem ser encontradas nas lojas antiquadas do Estado.

Ao mesmo tempo, membros das Forças Armadas são obrigados a declarar todas as remessas que recebem e não têm permissão para manter "contatos não autorizados" com estrangeiros ou cubanos que vivem no exterior. "Isso acabou produzindo uma migração de pessoas talentosas do setor estatal para o privado", disse Fernando Dámaso, de 75 anos, coronel da reserva que escreve um blog em que frequentemente critica o governo. "A maioria dos que estão nas Forças Armadas viu sua qualidade de vida cair em comparação à de um balconista ou de alguém que tem uma pequena empresa."

Segundo funcionários do governo, o orçamento do Exército para construções mais que dobrou desde 2010. Somadas ao Ministério do Interior, as Forças Armadas agora são a segunda maior entidade de Cuba no setor da construção. O Projeto Granma - que tem o nome da embarcação que levou Fidel do México a Cuba o início ao movimento revolucionário - é uma das novas incorporadoras militares para a construção de habitações em todo o país. Seu equivalente em Santiago de Cuba, onde começou a revolução, tem sido alvo de críticas dos cubanos que sobrevivem em casas danificadas pelo furacão Sandy. Mas, em sua tentativa de se rivalizar com o setor privado - ou com outros países - não por acaso as cores e a arquitetura do Granma, no mesmo bairro que Raúl chama de lar, dão a impressão de um complexo de apartamentos da Flórida.

Às suas margens, há um campo de futebol. Dentro da área do condomínio, as lâmpadas de iluminação pública ao longo das calçadas que se assemelham a clássicos lampiões de gás, enquanto os carros, outra benesse, lotam os estacionamentos. Num edifício de arcos arredondados, onde serão construídos um cinema, um mercado e uma clínica médica, um dos engenheiros do projeto disse que o Granma significará um lar para milhares de pessoas. "É uma coisa necessária", disse Rodríguez, o oficial que foi um dos primeiros a chegar ao Granma.

Mas, na gangorra que define a política econômica de Cuba nos dois últimos anos, o governo frequentemente lutou para estabelecer quando deveria permitir o funcionamento do mercado e quando proteger o establishment comunista.

"Se você tem um negócio dirigido por militares, quando há uma transição, não demitirá essas pessoas", disse Dámaso. "É uma maneira de preservar um espaço para os poderes estabelecidos numa futura sociedade cubana."






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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ministério Público pede bloqueio de bens de Lula

O Ministério Público Federal (MPF) de Brasília pediu à justiça o bloqueio dos bens do ex-presidente Lula da Silva, a quem acusa de improbidade administrativa por ter usado verba pública com claro intento de promoção pessoal.


Ministério Público Federal de Brasília pediu à justiça o
bloqueio dos bens do ex-presidente Lula da Silva, a quem
 acusa de improbidade administrativa por ter usado verba
pública com claro intento de promoção pessoal



O bloqueio de bens tem como finalidade garantir a devolução aos cofres públicos de quatro milhões de euros que Lula, segundo o MPF, usou indevidamente.
A acção interposta pelo MPF refere-se ao gasto desses quatro milhões de euros com a impressão e o envio pelo correio de mais de dez milhões de cartas enviadas pela Segurança Social a reformados entre Outubro e Dezembro de 2004, segundo ano do primeiro mandato de Lula.
A missiva avisava os reformados que um convénio estabelecido entre a Segurança Social e o até então desconhecido Banco BMG lhes permitia a partir de então pedirem empréstimos a juros baixos e sem qualquer burocracia àquela instituição bancária, com o desconto das parcelas sendo feito directamente nas reformas.
 Até aí não haveria problema, não fossem dois detalhes, que chamaram a atenção dos promotores. O BMG, único banco privado a ser autorizado na altura a realizar esse tipo de empréstimo, conseguiu a autorização em menos de duas semanas, quando o normal seriam vários meses, e as cartas, simples correspondência informativa, eram assinadas por ninguém menos que o próprio presidente da República, algo nada comum para esse tipo de aviso.
Para o Ministério Público, não há dúvida de que Lula e o então ministro da Segurança Social, Amir Lando, que também assinou as cartas e é igualmente acusado na acção, usaram a correspondência para obterem promoção pessoal e lucro político e que a acção do presidente da República favoreceu a extrema rapidez com que o BMG conseguiu autorização para operar o negócio, desrespeitando as normas do mercado. A 13.ª Vara Federal, em Brasília, a quem a acção foi distribuída, ainda não se pronunciou sobre o pedido do MPF.

Lula com o Maior Comunista de todos os Tempos.( Fidel Castro).


Ex Presisente Lula ( Foto: google.com)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Caminhoneiros continuam bloqueio em SC em terceiro dia de protestos

Paralisações ocorrem nesta quarta (3) em cinco pontos do Oeste do estado.
Protestos são realizados deste a manhã e segunda (1) em Santa Catarina.

Caminhoneiros protestam na BR-282, em Catanduvas (Foto: Wilmar Zanella/RBS TV)
Protestos na BR-282, em Catanduvas, iniciaram na sexta-feira (27)
(Foto: Wilmar Zanella/RBS TV)

Caminhoneiros seguem com bloqueios em cinco pontos de rodovias federais catarinenses localizados no Oeste do estado na manhã desta quarta-feira (3). Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), as paralisações ocorrem nas regiões dos municípios de São Miguel do Oeste, Maravilha, Catanduvas, Cunha Porã e Palmitos. Este é o terceiro dia de protestos dos caminhoneiros no estado.
O ato teve início na manhã de segunda (1) em apoio ao movimento nacional contra a corrupção e por melhores condições de trabalho, incluindo isenção de pedágio e subsídios ao óleo diesel. Os pontos de bloqueio das rodovias foram sempre no Oeste. Na manhã de segunda (1), o protesto começou em Maravilha e, a partir da tarde, em São Miguel do Oeste e Cunha Porã. Na terça (2), também houve bloqueios nesses locais, além de Palmitos e Catanduvas.

Na manhã desta quarta (3), na BR-282, os protestos ocorrem no km 645, em São Miguel do Oeste, nos kms 605 e 606 em Maravilha e no km 406 em Catanduvas. Também há bloqueios na BR-158 no km 110, em Cunha Porã, e no km 139, em Palmitos.
De acordo com a PRF, havia cerca de 100 caminhões parados nas cidades de Maravilha e São Miguel do Oeste. A Polícia Rodoviária Federal não soube informar quantos caminhonheiros fazem protesto nas outras cidades.
Durantes os protestos, podem passar pelas rodovias ambulâncias, ônibus e carros de passeio. Porém, caminhões ficam retidos pelos manifestantes.
Caminhoneiros fazem protestos em rodovias de SC (Foto: Gilvan Tomasi Pahim/Divulgação)
Caminhoneiros fazem protestos em rodovias de SC (Foto: Gilvan Tomasi Pahim/Divulgação)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Dez mil protestam em Curitiba vigiados à distância pela PM e invadem sede do governo

Rafael Moro Martins e Talita Boros
Do UOL, em Curitiba
Manifestantes protestam contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Curitiba (PR)
Manifestantes protestam contra a Corrupção e o aumento da tarifa do transporte
coletivo em Curitiba (PR)

Cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar –ou 20 mil, de acordo com a organização– se reuniram na noite desta segunda-feira (17), no centro de Curitiba, para um protesto que teve como principal alvo o recente aumento de R$ 0,20 na tarifa do transporte público da cidade. A manifestação também funcionou como demonstração de apoio a protestos semelhantes realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e diversas outras cidades.
Os manifestantes se reuniram na Boca Maldita, no calçadão da rua 15 de Novembro, e dali saíram, pouco depois das 18h, em caminhada que passou pela praça Rui Barbosa, principal terminal de ônibus da cidade, e o Terminal Guadalupe, de onde partem linhas para a região metropolitana. O protesto organizado foi encerrado por volta das 21h, na praça Santos Andrade.
Parte dos manifestantes, porém, resolveu seguir até o Centro Cívico, sede dos governos municipal e estadual –o que não era desejo dos organizadores do evento, que temiam por um confronto com o Batalhão de Guarda da PM, responsável pelo policiamento no local.
Agora sem a mesma organização de antes, o protesto ganhou ares de baderna. Um grupo mais exaltado tentou invadir o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. Alguns manifestantes picharam na parede do prédio a frase "Estado fascista", sob vaias de outros, que criticaram o que chamaram de vandalismo. Outros colaram cartazes nas portas e paredes do palácio –já deserto àquela altura.
Por volta das 22h15, um grupo de cerca de 100 pessoas que permaneceu em frente a um portão de aço que dá acesso lateral do Palácio Iguaçu começou a chutá-lo. Outros manifestantes atiravam cones de sinalização de trânsito e bolos de fita crepe. Mesmo a alguma distância, ouvia-se barulho de vidros se partindo.
Em alguns minutos, o portão caiu. Atrás dele, estavam homens do Batalhão de Choque da PM, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo para dissipar a multidão. O pequeno grupo de manifestantes que permaneceu no estacionamento do Palácio Iguaçu respondeu, atirando o que tinham a mão.
A multidão só começou a se dispersar minutos depois, quando a polícia lançou mais algumas bombas de gás lacrimogêneo. Por volta das 22h50, a maioria dos manifestantes já deixava o Centro Cívico rumo ao centro da capital.
Variedade
Embora o estopim para as manifestações paulistanas e sua similar curitibana fosse o preço do transporte coletivo, cartazes empunhados pelos manifestantes mostravam que a pauta de reivindicações de quem foi à rua era bem mais ampla.
Os cartazes bradavam contra a Copa do Mundo no Brasil –um deles mandava o presidente da Fila, Joseph Blatter, "calar a boca"–, as filas do SUS (Sistema Único de Saúde) e a corrupção.
Outro manifestante mandou um recado ao ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho (sem partido, ex-PSB), acusado pelo MPE (Ministério Público Estadual) de matar dois jovens num acidente de trânsito, em 2009. Segundo a acusação, ele dirigia em alta velocidade, embragado e com carteira de habilitação vencida. "Não esquecemos de você, Carli Filho", dizia o cartaz.
A funcionária pública Renata Arruda, 32, veio sozinha à manifestação, empunhando um cartaz contra a corrupção. "Estou muito feliz de estar aqui, o povo finalmente acordou. É um despertar coletivo", falou.
O estudante de psicologia Attila Mogor, 20, preparou um cartaz contra a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37, que propõe retirar do Ministério Público a autonomia de investigar. "É minha principal razão para estar aqui. Não fosse o MP, escândalos como o do Mensalão não viriam à tona", explicou.
Organização
Ao longo do trajeto, chamou a atenção a organização do evento. Vários jovens, a maioria deles com camisetas ou faixas cobrindo parte do rosto, corriam para a frente da passeata para freá-la e evitar a dispersão, e para facilitar o trabalho dos fotógrafos que acompanharam o protesto.
Eles chamavam uns aos outros de "pessoal da segurança". Em dado momento, quando o grupo descia a rua André de Barros, tiveram um atrito com um grupo de punks, mais exaltado –um deles chegou a esmurrar um ônibus biarticulado na esquina com a avenida Marechal Floriano. Não houve briga, porém os ânimos foram serenados aos gritos de "sem violência".
A bióloga e estudante de pós-graduação Liz Góes, uma das organizadoras do evento e responsável pela comunicação, disse que a Frente foi formada em reunião realizada no último sábado (15), quando criou comissões para comandar a manifestação de forma mais organizada. "São cerca de 100 pessoas cuidando da segurança, comunicação e organização do protesto", afirmou.
"Nossa bandeira é a tarifa de R$ 2,60, nos dias de semana, e a volta da tarifa de R$ 1 aos domingos", disse ela. Atualmente, a passagem em Curitiba e região metropolitana custa R$ 2,85 durante a semana e R$ 1,50 aos domingos.
O grupo já marcou uma nova manifestação para a próxima quinta-feira (20), às 18h, na Praça Rui Barbosa. "Vamos manter o lema do movimento. Enquanto a tarifa não baixar, não vamos parar", prometeu Fisher.

Protestos se espalham por capitais brasileiras nesta segunda-feira


Manifestantes tomaram a Ponte Estaiada, no Brooklin, em São Paulo, em protesto nesta segunda-feira
Foto: Michel Filho / Agência O Globo
Manifestantes tomaram a Ponte Estaiada, no Brooklin, em São Paulo, em protesto
nesta segunda-feira Michel Filho / Agência O Globo

RIO - Manifestantes tomaram as ruas de diversas capitais do Brasil nesta segunda-feira. No Rio, 100 mil pessoas ocuparam pacificamente o Centro da cidade; no fim do protesto, um pequeno grupo entrou em conflito com a polícia nas imediações da Assembleia Legislativa, atirou coquetéis molotov, incendiou um carro e depredou prédios públicos, num confronto que terminou com oito feridos. Em São Paulo, ao menos 65 mil pessoas foram às ruas, de acordo com o Instituto DataFolha. Em Brasília, manifestantes invadiram a cobertura do Congresso Nacional, de onde desceram, algum tempo depois, em clima de festa. Mais tarde, voltaram a ocupá-la. Os atos levaram a presidente Dilma Rousseff, que até então se mantivera em silêncio, a se pronunciar pela primeira vez. “As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia. É próprio dos jovens se manifestarem”, disse. Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva também comentaram o movimento nacional. Para FH, é um erro desqualificar os protestos. Lula criticou a violência policial. Ao todo,
Os protestos aconteceram em capitais como São Paulo, Rio, Brasília, Maceió, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Vitória, Curitiba, Belém e Belo Horizonte, e foram acompanhados de perto pela polícia. Ao todo, mais de 240 mil pessoas participaram dos atos, cuja pauta se amplia a cada dia: as manifestações desta segunda-feira combinaram protestos contra o aumento de tarifas de ônibus, os gastos excessivos na Copa de 2014, a PEC 37 (conhecida como a PEC da Impunidade), o polêmico Estatuto do Nascituro, além de pedidos de investimentos em transporte público, saúde e educação, numa clara exigência da sociedade civil por uma atualização da agenda política do país. Em São Paulo, o "Quinto Grande Ato Contra o Aumento das Passagens" ocupou a Ponte Estaiada e foi marcado pela tranquilidade e pela divisão de trajetos entre os manifestantes, que ocuparam simultaneamente diversos locais da cidade. A pedido deles, PMs chegaram a sentar no chão, num gesto de boa vontade. Um grupo, então, decidiu seguir para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado, onde gritou palavras de ordem contra o governador Geraldo Alckmin. Uma parte das pessoas tentou ainda invadir o prédio, mas não houve confronto com a polícia.
Em Brasília, ao menos 5 mil pessoas (números da PM), entre eles centenas de estudantes, principalmente secundaristas, ocupam todas as faixas do Eixo Monumental, no Centro da capital, e tomaram o canteiro central em frente ao Congresso Nacional. Alguns tentaram subir a rampa e foram impedidos pela Polícia Legislativa e a Polícia Militar. A polícia chegou a fazer uso de gás de pimenta para conter o grupo e o clima ficou tenso. Eles conseguiram entrar na cobertura do prédio e se concentraram lá por algum tempo. Em seguida, desceram a rampa sem tumultos.
NAS REDES: Acompanhe um storify as imagens e posts compartilhados por manifestantes
No Rio, milhares caminharam da Candelária, com flores nas mãos, pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Domingo, na Quinta da Boa Vista, o Batalhão de Choque foi para cima dos manifestantes que tentavam se aproximar do Maracanã; eles terminaram se refugiando na Quinta da Boa Vista, onde foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, ao lado de pais e filhos que nada tinham a ver com a manifestação. No início do protesto, houve um princípio de tumulto entre representantes de partidos políticos, que começaram a vaiar uns aos outros, mas foram rechaçados. “Nenhum partido tutela este protesto”, afirmou um dos coordenadores da manifestação, do alto do carro de som. De acordo com especialistas da Coppe/ UFRJ, ao menos 100 mil pessoas tomaram o Centro, de acordo com informação do telejornal RJTV. A PM diz ainda não ter estimativas. Por volta das 20h, um pequeno grupo tentou ocupar a escadaria da Assembleia Legislativa e foi rechaçado pela polícia com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os conflitos aconteceram na Rua Primeiro de Março, em frente à Alerj e na travessa ao lado do Paço Imperial. Alguns manifestantes atiraram coqueteis molotov em direção aos policiais e atearam fogo em um carro. Cinco policiais foram feridos no confronto, que descambou para depredações de agências bancárias, lojas e restaurantes.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/protestos-se-espalham-por-capitais-brasileiras-nesta-segunda-feira-8716155#ixzz2WWrmXed8
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Em Belo Horizonte, onde Nigéria e Taiti jogaram pela Copa das Confederações, o ato começou mais cedo, e mais de 20 mil pessoas, de acordo com a PM, participam do protesto que começou na Praça Sete, no Centro da capital mineira. Com palavras de ordem contra o reajuste da passagem de ônibus e gastos excessivos com Copa do Mundo e Olimpíadas, a manifestação ocorre em frente ao Mineirão; para impedir a marcha de se aproximar do estádio, a polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha nos manifestantes. Na fuga, um manifestante caiu de um viaduto e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros.
Em Porto Alegre, 15 mil pessoas protestaram em frente à prefeitura da cidade, com palavras de ordem contra a Copa do Mundo e repúdio aos partidos políticos. No fim do protesto, também houve confronto com policiais na Avenida Ipiranga. Em Maceió, capital de Alagoas, cerca de 3 mil pessoas fazem um ato que começou na Praça Centenária, no Bairro do Farol; na pauta, o reajuste das passagens de ônibus se juntou a protestos contra violência policial, corrupção e os altos gastos para a Copa de 2014. Um participante do ato levou um tiro, mas o autor do disparo ainda não foi identidicado. Em Salvador, cinco mil pessoas marcharam pacificamente pela Avenida Tancredo Neves; no caminho, convidavam as pessoas nos pontos de ônibus e trabalhadores nos escritórios a se juntarem a eles. Em Belém, 13 mil pessoas lotaram a Avenida Almirante Barroso, com protestos contra a PEC 37 e a Copa do Mundo. Em Vitória e Curitiba também ocorreram manifestações.
Mais cedo, em São Paulo, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, garante que não haverá proibição para que o protesto chegue à Avenida Paulista. Também garantiu que, desta vez, a Polícia Militar não usará balas de borracha contra os manifestantes, ao contrário do ato da última quinta-feira, reprimido violentamente pelo Batalhão de Choque. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, apareceu de surpresa em reunião do Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou os protestos na capital paulista, com o secretário de governo, Antônio Donato, mas disse que não seria possível “revogar o aumento da tarifa por motivos técnicos”. Em nota, integrantes do MPL discordaram da posição de Haddad, afirmando que não se trata “de uma questão técnica, mas política”.

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