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sábado, 17 de setembro de 2016

PARALIMPÍADA RIO 2016 : Ciclista iraniano morre após acidente na prova de estrada da Paralimpíada

Bahman Golbarnezhad sofreu queda durante descida perto da Prainha e bateu 

com a cabeça em uma pedra. Aos 48 anos, ele faleceu logo ao chegar no hospital

Bahman Golbarnezhad - Ciclista Irã  (Foto: Divulgação)

O ciclista iraniano Bahman Golbarnezhad, de 48 anos, morreu neste sábado após sofrer um acidente durante a prova de ciclismo de estrada da Paralimpíada do Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade. Ele caiu com sua bicicleta  na descida de Grumari durante o percurso  da classe C4-5 e bateu com a cabeça em uma pedra. Bahman foi levado pela equipe de emergência para um hospital na Barra da Tijuca. Não resistiu ao traumatismo craniano, sofreu uma parada cardíaca e morreu logo ao chegar. Bahman era casado com uma jogadora de basquete da seleção feminina paralímpica do Irã. A equipe não se  classificou para os jogos do Rio. Ele deixa dois filhos.
A queda ocorreu na parte final da prova. Barman foi socorrido rapidamente pela ambulância. Por causa do acidente, a largada da prova da classe B atrasou quase uma hora aguardando uma nova ambulância chegar ao local. 
A família do ciclista já foi avisada da tragédia. Uma homenagem estava marcada para às 18h na Vila dos Atletas pelo Comitê Paralímpico Iraniano, mas será fechada. A classe C4, da qual o iraniano pertencia, é destinada a atletas com dificuldade de controle do guidão e que apresentam aumento do tônus muscular leve, sendo os membros inferiores mais acometidos.

Info local acidente que matou iraniano ciclismo de estrada v3 (Foto: infoesporte)
O Comitê Paralímpico do Irã divulgou uma nota lamentando a morte do atleta:
"É com profundo pesar que informamos a morte do veterano ciclista Bahman Golbarnezhad nos Jogos Paralímpicos 2016 em decorrência de um acidente durante uma competição. Bahman era um exemplo de atleta que com amor e dignidade promovia e elevava o nome do Irã, além de ser motivo de orgulho para todos nós. A Comissão de Cultura e Esportes da República Islâmica do Irã lamenta esta perda infeliz e expressa as condolências do povo iraniano à família do atleta".
Sobre o acidente, Sir Philip Carven, presidente do Comitê Paralímpico Internacional, disse: 
- A família paralímpica está unida em luto nesta horrenda tragédia que lança uma sombra sobre o que houve de grandeza nos Jogos Paralímpicos do Rio. 
Já Carlos Alberto Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016, declarou: 
- É uma notícia muito triste para o esporte e para o movimento paralímpico. Nossos corações e orações estão com a família de Bahman’, seus companheiros de delegação e todo o povo do Irã.
O iraniano já havia participado de uma prova na Rio 2016 no mesmo trajeto onde sofreu o acidente fatal. Foi na quarta-feira, na prova de contrarrelógio, onde ele ficou em 14º lugar. 
Barman Golbarnezhad participou também da Paralimpíadas de Londres, em 2012. Ele ficou em 23º lugar na prova de estrada. E também competiu no ciclismo pista na perseguição contrarrelógio de 1000m na classe C4-5 ficando na 18º posição. Ele disputou três provas no Mundial da Itália em 2016 e teve como melhor colocação um 11º lugar. Nos Jogos Para-asiáticos ele ficou em quinto lugar na prova de estrada em 2014. 
Nascido na cidade de Shiraz, Bahman iniciou no esporte em 2002. Segundo a ficha oficial no site do Comitê Paralímpico Internacional, seu sonho era ganhar a medalha de ouro no Rio e sua maior influência era a esposa.

Na mesma prova em que ocorreu a tragédia o brasileiro Lauro Chaman ganhou a medalha de prata. 
ERRATAS: Na primeira versão desta nota, informamos equivocadamente que a categoria de Bahman Golbarnezhad era a de atletas com maior deficiência entre as classes do ciclismo paralímpico de estrada. A informação foi corrigida às 17h. 
Diferente do que foi inicialmente informado, Bahman não morreu a caminho do hospital, mas logo ao dar entrada nele. A informação foi corrigida às 19h. 


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domingo, 21 de agosto de 2016

Rio 2016 : Sob chuva, Rio lava a alma e dá adeus à Olimpíada que vai deixar saudade

Após 17 dias inesquecíveis, temporal no Maracanã não atrapalha a alegria na festa dos atletas e do público na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de 2016

Saudade. A palavra solitária que só na língua portuguesa consegue representar vários sentimentos deu o tom da despedida. Os Jogos Olímpicos do Rio prometem mesmo deixar saudade - até para quem não sabe exatamente seu significado. Debaixo de chuva no Maracanã, o país lavou a alma e celebrou na noite deste domingo o fim e o começo de um novo tempo. Foram 17 dias inesquecíveis da primeira edição disputada na América do Sul e que terminou do jeito que o brasileiro gosta e sabe fazer: com festa, emoção, alegria e muito samba.

Festa de encerramento Olimpíada Rio de Janeiro Maracanã (Foto: REUTERS / Fabrizio Bensch)
Festa de encerramento tem muito carnaval no Maracanã 

Santos Dumont fez o convite para retomar o voo pelos cartões-postais do Rio de Janeiro, que havia começado 17 dias antes, na cerimônia de abertura. Desta vez, a viagem por pontos turísticos como os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar também proporcionou um passeio pela rica fauna brasileira, até formar os arcos olímpicos, ao som da percussão do grupo Barbatuques. 
Devagarinho, Martinho da Vila pediu licença para apresentar ao mundo os grandes maestros da música popular brasileira. Pixinguinha e o seu "Carinhoso", Braguinha e Noel Rosa foram homenageados pelo intérprete e compositor de Vila Isabel, que levou suas três filhas e uma neta, para ajudá-lo a contar e cantar um pouco o samba e o choro brasileiros. O momento dedicado à música terminou com um emocionante coro de 27 crianças – representando os 26 estados e o Distrito Federal – cantando o Hino Nacional do Brasil. A bandeira do país entrou no Maracanã nas mãos da ex-tenista brasileira Maria Esther Bueno.

Maracanã durante cerimônia de encerramento aros olímpicos (Foto: Reuters)
Aves brasileiras se unem formando os tradicionais aros olímpicos

A FESTA DOS ATLETAS

De Noel Rosa para Carmen Miranda. A famosa cantora e atriz que abriu portas para o Brasil no mundo, desta vez, foi representada pela cantora Roberta Sá, abrindo alas para a entrada das 207 delegações dos Jogos Olímpicos do Rio. O desfile dos atletas seguiu com mais música brasileira. O tradicional ritmo frevo foi apresentado. Também teve samba. Teve forró. E sobrou alegria na festa de quem deu o espetáculo nos últimos 17 
dias. 

Os atletas entram na mesma ordem da cerimônia de encerramento (Foto: Reuters)
Os atletas se despedem dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Reuters)

Com a Bandeira do Brasil nas mãos, Isaquias Queiroz, o canoísta que conquistou três medalhas na competição, representou a alegria dos 462 atletas brasileiros que tiveram a chance de defender o país em casa. Nesta altura, o gramado do Maracanã já tinha virado pista de dança. Criações de artistas brasileiros ganharam forma no centro do estádio, em seguida. Pinturas desde o tempo dos primeiros habitantes até os dias de hoje foram representadas. A cultura indígena tão marcante nas origens brasileiras foi lembrada com desenhos geométricos.

PARA DEIXAR SAUDADE

Arnaldo Antunes pediu licença para falar de saudade. O escritor, compositor e cantor recitou um poema que tem como tema a palavra famosa por só na língua brasileira definir de forma resumida vários sentimentos. Projeções de traduções em diversos idiomas para "saudade" foram lançadas pelo estádio. Em seguida, veio uma homenagem à arte manual das mulheres rendeiras, com a participação do grupo "Ganhadeiras de Itapuã", destacando a contribuição da cultura negra na formação do Brasil. A renda saiu de cena e entrou a argila. Era a vez de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", e sua "Asa Branca" serem lembrados. 

Encerramento da Olimpíada  (Foto: Leonhard Foeger/Reuters)
Destaque palavra saudade e para o trabalho das Mulheres Rendeiras 

Um vídeo com cenas marcantes e emocionantes dos Jogos Rio 2016 foi exibido e serviu de introdução para a última premiação da competição, na entrega de medalhas da tradicional prova da maratona. Em seguida, grandes nomes do esporte, como a russa Yelena Isinbayeva, foram anunciados como novos membros da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional (COI). Os voluntários, que se espalharam e se desdobraram em vários cantos da cidade nos últimos 17 dias, se uniram no centro do Maracanã e também foram homenageados, enquanto Lenine embalava o bonito momento. Era uma das últimas cenas olímpicas do Rio de Janeiro. Não demorou muito para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, devolver a bandeira olímpica para o COI, em meio a algumas vaias e aplausos do público. O símbolo foi entregue em seguida a Tóquio, o palco da edição de 2020. 
O cartão de visitas dos japoneses para a próxima Olimpíada teve como destaques a palavra "Arigato" (obrigado, em português), que foi projetada em várias línguas durante a breve apresentação, e a tradição dos games japoneses. Reforçando os conceitos de "diversidade e harmonia ", Tóquio apresentou a intenção de incentivar a aceitação apesar das diferenças culturais dos povos. Para encerrar, uma queima de fogos. 

O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e do COI, Thomas Bach, fizeram seus discursos de encerramento. Estava na hora de o Rio se despedir para valer. As obras do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx foram lembradas com novos desenhos no gramado. Em seguida, uma chuva artificial apagou o fogo da pira olímpica, enquanto Mariene de Castro cantava "Chovendo na Roseira ", de Tom Jobim.
Uma queima de fogos celebrou o fim da cerimônia. Mas foi fazendo carnaval, com o Cordão do Bola Preta e escolas de samba em cena, que o Rio transformou o Maracanã no Sambódromo, colocou o mundo para sambar e deu um "até logo" - já saudoso - aos Jogos Olímpicos.

Maracanã durante cerimônia de encerramento (Foto: Reuters)
Sob chuva, Maracanã celebra o fim dos Jogos Olímpicos no Rio (Foto: Reuters)

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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Rio 2016 : Das ruas ao tatame: Rafaela Silva, um diamante lapidado com pés no chão

Campeã olímpica na categoria até 57kg supera infância humilde na Cidade de Deus 

e desponta como melhor (e pior) exemplo para crianças da comunidade carioca

Naquele tempo ter chinelos era luxo. Para quem tinha um par, abrir mão dele para poder brincar descalça representava o risco real de voltar para casa com os pés no chão. Rafaela, moradora nova, virou vítima das circunstâncias. Passou um mês chorando para o pai, pedindo outras sandálias. A culpa não era dela! Os meninos da rua que a tinham roubado! Quando finalmente venceu Seu Luiz Carlos pelo cansaço, mal teve chance de aproveitar. Ficou de novo sem calçado. Apanhou em casa. E aprendeu na marra uma lição que moldaria sua personalidade.
- Eu gostava de soltar pipa, jogar bola... e eles roubavam minha linha, meu chinelo... Eu fiquei um mês inteiro chorando. Meu pai falou que era caro e não podia me dar. Fui chorando, chorando, ele deixou de comprar coisas para a casa, foi e me deu o chinelo novo. No mesmo dia fui brincar de pique-esconde e o levaram. Cheguei em casa, tomei uma surra. Aí aprendi a ser esperta aqui na rua também para sobreviver.

Rafaela Silva judô (Foto: Reuters/Toru Hanai)
Rafaela Silva, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

A necessidade de se impor fez de Rafaela Silva uma lutadora ainda criança. A agressividade aflorada nas brigas pela vizinhança foi disciplinada através do judô, e a menina que superou a pobreza em uma das comunidades mais violentas do Rio de Janeiro tornou-se campeã olímpica. Das ruas para o tatame, da Cidade de Deus para o mundo, um talento natural tão latente que resiste mesmo diante de uma postura considerada um tanto displicente para um atleta de elite.
Rafaela personifica extremos. Vai do pior ao melhor exemplo para os aprendizes do polo de Jacarepaguá do Projeto Reação, onde foi revelada - sendo descuidada com a alimentação e preguiçosa em relação aos treinos, mas tida como maior símbolo de sucesso de uma população marcada pela falta de perspectivas e estigmatizada pelas telas de cinema. A medalha conquistada nesta segunda (única que faltava no currículo da carioca), no tatame da Arena Carioca 2, a transforma em heroína não apenas da comunidade, mas também de um país inteiro. 
No caminho rumo ao pódio, a peso-leve (até 57kg) não deu chances para suas três primeiras adversárias. A semifinal contra a romena Corina Caprioriu foi cheia de emoção, e a brasileira levou a torcida à loucura com um wazari, já no golden score (morte súbita). A medalha dourada veio na vitória contra Sumiya Dorjsuren, da Mangólia. 
DA BRIGA DE RUA À DISCIPLINA DO TATAME
Seu Luiz e Dona Zenilda trabalhavam fora. Ele era entregador de pizza, ela vendia botijões de gás. Com duas filhas pequenas e arteiras, procuraram ajuda na associação de moradores para mantê-las ocupadas. Com uma lista de atividades em mãos, apresentaram as opções para as meninas. Raquel, a mais velha, quis fazer dança. Rafaela escolheu o futebol. 
O interesse da primogênita pelas artes se esvaiu quando viu o nível da turma. Todos estavam muito avançados. A caçula não pôde mostrar sua habilidade com a bola nos pés porque havia times apenas para meninos. Assim, as duas foram conhecer um tal de judô, marcado como segunda opção. Sabiam que era uma luta e, acostumadas a encararem uma boa briga tanto na escola quanto na rua, acharam que ali poderiam se dar bem. Mas não tinham real noção do mundo que poderia se abrir, de quão longe poderiam ir.
Rafaela Silva, judoca (Foto: Alexandre Durão / GLOBOESPORTE.COM)
Rafaela com Geraldo: técnico viu na carioca um diamante bruto

Geraldo Bernardes teve esta visão assim que as conheceu. Em 2000, o ex-técnico da seleção brasileira, com a experiência de quem levou atletas a quatro edições olímpicas, lançou um projeto social em Jacarepaguá para atender a comunidades carentes como a Cidade de Deus (CDD). As meninas passaram a treinar com ele e logo despontaram.
A primeira a se sobressair foi Raquel. Com 11 anos, tinha gosto por treinar e só saia da academia de noite. Rafaela, três anos mais nova, precisava de um empurrão extra para deixar as brincadeiras na calçada e vestir o quimono. Quando entrava no tatame, porém, mesmo sem o mesmo afinco da irmã, não ficava atrás nos resultados.
A percepção de que as duas poderiam chegar à seleção brasileira fez com que Geraldo expandisse seus cuidados. Exigiu que as brigas se tornassem passado. Se ficasse sabendo de algo, elas estariam fora do instituto. Arrumou uma bolsa de estudos para Raquel em uma escola particular, e ajudou – e muito – no custeio de despesas. Passagens, alimentação, inscrições em torneios. Como a família era muito humilde, era ele a fazer o investimento. Tinha certeza de que valeria a pena.
- Até pela idade apostei primeiro na Raquel. Mas as duas também competiam entre si, tinham aquela postura competitiva que é ótima para a evolução no esporte. Tinham a personalidade ideal para o esporte de alto rendimento. Quem mora em uma comunidade carente vive um sacrifício diário, vê mortes, há pouca comida. Isso tudo gera uma agressividade natural. No caso da Rafaela, além da oportunidade de transformar, ela tinha muita coordenação física, pulava muro, tinha uma envergadura grande e era canhota... Ela também é muito inteligente, pega rápido as informações sobre as adversárias – disse o treinador.
judô Rafaela Silva Raquel (Foto: Leslye Davis / The New York Times)
Rafaela e Raquel eram briguentas na infância: agressividade foi disciplinada (Foto: Leslye Davis / The New York Times)

Rafaela só passou a levar o esporte mais a sério quando a irmã, aos 14 anos, foi convocada para uma competição na Bolívia. Ela queria fazer como a mais velha, também queria viajar, rodar o mundo. Mesmo com apenas 11 anos, já sabia que era boa. Vencia todas as adversárias tão rápido que podia até brincar entre uma luta e outra na competição. Ouviu de Geraldo que seria preciso mudar.
Quando Raquel se viu grávida ainda na adolescência, Rafaela assumiu o protagonismo. Com a irmã, até então mais bem-sucedida, de resguardo – depois da maternidade uma série de lesões complicaria a carreira da primogênita -, a caçula foi obrigada a crescer. Em casa, quando o pai não estava, era ela que carregava nas costas os botijões de gás para ajudar a mãe. Nos treinos era chamada a atenção a todo o instante. Mesmo que fosse superior a todas as colegas, ela sempre tinha o que melhorar. Não bastava ser boa. Estava sendo lapidada para tornar-se a melhor do mundo.
Enquanto o filme Cidade de Deus tornava-se um sucesso mundo afora, com quatro indicações para o Oscar, a família Silva vivia a violenta realidade da região. Mesmo não morando mais dentro da CDD, visitavam com frequência os familiares que seguiram na comunidade. As meninas perderam a conta de quantas vezes encerraram as brincadeiras na rua devido ao início de algum tiroteio. Durante um período, uma boca de fumo instalou-se ao lado da casa da avó. Era comum ver policiais e bandidos trocando tiros por horas.
- A gente sabia que era perigoso, mas como a gente vivia naquele meio, via os caras armados, vendendo, tudo era normal. A gente não se assustava. Quando tinha tiroteio, todo mundo saia correndo desesperadamente, mas era algo que acontecia no dia a dia – lembrou Raquel.
- Quando a gente ia visitar a família do meu pai, era bem violento. A gente via droga, arma. Tem uns dois anos, vindo da festa de 15 anos da minha prima, tem uma parte lá na CDD em que as ruas são bem estreitas. Entrei, tinham uns meninos vendendo droga na esquina. Passei com o carro, vidro fechado, e um menino falou “Ih, é um carro desse que eu vou roubar para mim quando eu crescer”. Fiquei desesperada – contou Rafaela.
Felizmente a criminalidade não gerou nenhum dano mais grave à família das judocas. Não houve perdas, nenhum grande trauma. Só lembranças bem vivas sobre uma vida que não queriam para si: haviam sido educadas desde cedo para diferenciarem o certo do errado, e o judô só ratificara os valores passados pelos pais.
judô Rafaela Silva casa (Foto: Leslye Davis / The New York Times)
A entrada da casa da família na Freguesia, onde ainda moram os pais de Rafaela e Raquel: local passou por reformas e ampliações graças ao dinheiro ganho pelas irmãs através do judô (Foto: Leslye Davis / The New York Times)

Conforme a vida de atleta de Rafaela e Raquel foi tomando forma, os títulos se acumularam e os patrocínios surgiram, a vida da família melhorou exponencialmente. A rotina de luta, tanto das meninas quanto dos pais, no entanto, seguiu quase inalterada.
Seu Luiz e Dona Zenilda ainda trabalham duro. O pai recebeu uma Kombi de presente e hoje faz fretes a um preço médio de R$ 150 reais. A mãe agora tem uma vendinha e oferece aos moradores da região todo tipo de produto: dos mesmos botijões de gás que vendeu em tempos de vacas magras a alimentos e peças de moda íntima feminina.
A casa da família, no bairro da Freguesia, Zona Oeste do Rio, antes contava com apenas um quarto, dividido entre pais e filhas. Hoje tem um segundo andar, com outro banheiro e três dormitórios. Rafaela não mora mais lá, vive sozinha em um apartamento no Méier e tem um carro de dar inveja aos vizinhos. Mas na parede da casa em que passou a maior parte da vida, logo à direita da porta de entrada, estão dois dos símbolos de suas maiores conquistas: diplomas reconhecendo o mérito pelos ouros conquistados no Mundial júnior de 2008 e no Mundial sênior de 2013. 
Os dois quadros, emoldurados com orgulho em algum momento do passado, estavam cobertos por teias de aranha no dia em que o GloboEsporte.com visitou a residência. Mais um dos tantos contrastes que permeiam a vida da primeira mulher brasileira campeã do mundo no judô.
judô Rafaela Silva casa diplomas (Foto: Leslye Davis / The New York Times)
Diplomas e miniatura de quimono com teias de aranha (Foto: Leslye Davis / The New York Times)

DESCLASSIFICAÇÃO, RACISMO E DEPRESSÃO
Na caminhada rumo ao mais importante título de sua carreira, Rafaela passou por várias decepções. Pequenas, médias e grandes. Até chegar à seleção brasileira principal, a menina da CDD sobrava diante das adversárias da mesma idade e do mesmo peso. Mas as grandes competições costumavam render surpresas desagradáveis. Duas semanas antes de um Pan-Americano de judô, quebrou o braço. Em um Brasileiro, foi desclassificada ao aplicar um golpe com uma entrada com o pescoço no chão. E aí vieram as Olimpíadas.
Representante do Brasil na categoria até 57kg, a carioca chegou a Londres 2012 como vice-campeã mundial e quarta colocada no ranking. Era a primeira vez na história que o país classificava a equipe completa com 14 atletas, e Rafaela estava entre as apostas de medalhistas da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Ela tinha o status de quem havia desbancado Ketleyn Quadros, única mulher medalhista olímpica do Brasil na história da modalidade.
Na estreia, vitória sobre a alemã Miryam Roper por dois yukos. Uma das favoritas, a portuguesa Telma Monteiro, já havia sido eliminada. Pela frente, nas oitavas, o duelo seria com a húngara Hedvig Karakas. Estava tudo correndo bem até a brasileira usar um Kata Otoshi, técnica conhecida como catada de pernas, para conseguir um wazari. Na revisão em vídeo, a arbitragem não só retirou a pontuação como desclassificou Rafaela. Em questão de segundos o mundo dela desmoronou.
A reação imediata foi o choro, o desespero. Abraçou a técnica Rosicleia Campos e chorou ainda mais. Ninguém sabia como consolá-la no ginásio. Quando finalmente chegou ao hotel e achou que teria conforto nas palavras das pessoas amadas, centenas de notificações em suas redes sociais chamaram atenção. Rafaela abriu o Twitter e se revoltou. Pela internet, havia recebido todo tipo de crítica e insultos racistas.
- Tinha que lugar de macaco era na jaula, e não nas Olimpíadas, que eu era vergonha para a minha família. Tinha um comentário (dizendo) que eu estava gastando o dinheiro que a pessoa pagava de imposto para querer ganhar roubando. Respondi que eu pagava imposto também. (...) Da maneira que eu perdi já tinha doído bastante. Eu estava indignada, só queria minha família. Achei que ia ter incentivo, mas estava todo mundo me criticando. 
Rafaela Silva é eliminada no judô de Londres (Foto: Marcio Rodrigues / FOTOCOM.NET )
O primeiro consolo nos braços da técnica Rosicleia Campos 

Rafaela Silva Judô mundial (Foto: Reuters)
No Maracanãzinho, um ano depois da decepção em Londres, Rafaela deu a volta por cima com o título mundial 


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sábado, 6 de agosto de 2016

Famosos : Mulher Maçã está sentida: 'Não me convidaram para levar a tocha'

Funkeira, que lançou música para dar as boas-vindas aos atletas, fez ensaio no Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio.


Grace Kelly, a Mulher Maçã (Foto: Guilherme Gomes/Gk Apple produções)
Grace Kelly, a Mulher Maçã,, fotografou no Museu do Amanhã, no Rio 

Gracy Kelly, a Mulher Maçã, está arrasada! A funkeira não se conforma do fato de não ter sido convidada para conduzir a tocha olímpica pelo Rio de Janeiro. Logo agora que ela, em parceria com o primo Romy, compôs uma música que dá as boas-vindas aos atletas. "Queria tanto ter carregado a tocha... Acho que vou fazer um protesto contra isso. Estou muito sentida. Muito!", disse ela.
A nova música de Maçã chama-se "Apple Gold" e se refere à luta dos atletas pelas medalhas de ouro. "O mundo nesse momento está com olhos para o Rio de Janeiro.Isso é muito importante, afinal de contas foram anos nos preparando para esse grande evento olimpico. Eu quero mostrar  a cultura do Brasil para o mundo estamos preparados".
Para divulgar "Apple Gold", Gracy esteve no Museu do Amanhã, localizado na Zona Portuária do Rio e que é o novo point turístico do Rio. Na região se concentra também o Boulevard Olímplico, onde vários palcos foram armados para a apresentação de shows durante a Olimpíada da Rio 2016. Que boas-vindas para os turistas, não?
Grace Kelly, a Mulher Maçã (Foto: Guilherme Gomes/Gk Apple produções)
Grace Kelly, a Mulher Maçã 

Grace Kelly, a Mulher Maçã (Foto: Guilherme Gomes/Gk Apple produções)
Grace Kelly, a Mulher Maçã, também posou nos arcos olímpicos, na Praia de Copacabana 


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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Rio 2016 : Carro atinge ciclista coreano que treinava na Vista Chinesa

Até as 12h15, não havia informações sobre o estado de saúde de Okcheol. Carro da delegação da Coreia socorreu atleta, segundo a PRF

Um atleta de ciclismo de estrada da Coreia foi atingido de por um carro perto da Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio, na manhã desta terça-feira (2). Segundo a Polícia Rodoviária Federal, Kim Okcheol teve ferimentos leves e foi socorrido por um carro de apoio da equipe coreana.
Até as 12h25, não havia informações detalhadas sobre o estado de saúde do atleta de 21 anos.
A Estrada da Vista Chinesa, dentro do Parque Nacional da Tijuca, é muito usada por ciclistas para treinamento. Com subida íngreme, no meio da floresta urbana, bicicletas e carros têm que dividir a mesma via, que tem muitas curvas.

Coreano atropelado na Vista Chinesa (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação)
Coreano foi atropelado na Vista Chinesa (Foto: Polícia Rodoviária Federal)

Coreano atropelado na Vista Chinesa (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação)
Okcheol estava pedalando na Floresta da Tijuca (Foto: Polícia Rodoviária Federal)

Coreano atropelado na Vista Chinesa (Foto: Polícia Rodoviária Federal/Divulgação)
Carro que atropelou coreano ficou com vidro quebrado (Foto: Polícia Rodoviária Federal)


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Rio 2016 : Não são só os uniformes: palestinos encaram problemas e até rato na Vila

Delegação segue sem parte das roupas e cogita comprar ternos para abertura. Atleta relata falhas elétricas e hidráulicas e encontro com roedor no 14° andar de um prédio


A perda de parte dos uniformes foi apenas um dos problemas enfrentados pela delegação da Palestina nos dias que antecedem a Olimpíada. A exemplo do que aconteceu com outros países, caso notório da Austrália, os palestinos encontraram acomodações longe do ideal na Vila Olímpica. Havia falhas nos sistemas elétrico e hidráulico. E uma visita surpreendente: um rato apareceu no quarto dos atletas. O curioso é que eles ficam no 14° andar de um dos prédios.

- Estive em Londres, e estava muito melhor. Tivemos problemas com hidráulica e eletricidade aqui. Não estava pronto. Estava em um estágio que parecia faltar um ano para a Olimpíada. Teve até rato no quarto, e olha que fica no 14° andar – disse o nadador Ahmed Gebrel.

Palestina (Foto: Alexandre Alliatti)
Delegação da Palestina nesta terça-feira na Vila Olímpica

Segundo o atleta, a situação já melhorou bastante – ele diz estar adorando a experiência na Vila. Mas a delegação palestina segue angustiada com a falta de uniformes. Parte do material, incluindo roupa de treino, ficou retida na alfândega em Tel-Aviv, Israel – com quem a Palestina tem um conflito histórico.

A delegação já se prepara para ir às compras. Uma das preocupações é com a cerimônia de abertura. As roupas das mulheres chegaram – um alívio, já que a porta-bandeira será a nadadora Mary Al-Atrash -, mas os homens provavelmente terão ternos comprados em lojas.

- No momento, temos o uniforme das mulheres. Isso é importante, por causa da porta-bandeira. Para os homens, teríamos um terno com as cores da Palestina, em uns quadrados. Mas não chegaram. Estamos pensando em comprar uns ternos normais. Teremos que comprar – afirmou o judoca Simon Yacoub.

Ahmed Gebrel, Palestina (Foto: Alexandre Alliatti)


A Palestina pediu a ajuda do COI para resolver a situação, mas não tem grandes esperanças de contar com os uniformes em tempo para as disputas. 

- Sinceramente, acho que não chegarão – lamentou Yacoub.

O país teve sua bandeira hasteada nesta terça-feira na Vila Olímpica. A Palestina tem seis atletas presentes na Olimpíada: quatro homens e duas mulheres. A nação estará representada na natação (dois competidores), no judô, no atletismo (dois competidores) e no hipismo. 

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domingo, 31 de julho de 2016

Rio 2016 : Segurança é preso em flagrante por estupro no Velódromo, dentro do Parque Olímpico.

Genival posa com armas em seu perfil no Facebbok
Genival posa com armas em seu perfil no Facebbok Foto: Reprodução

O segurança Genival Ferreira Mendes, que trabalha na empresa Gocil, foi preso em flagrante por estupro dentro do Velódromo, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele foi detido por volta das 4h30m deste domingo por agentes da Força Nacional e levado à 16ª DP (Barra).
Segundo o delegado Marcus Vinícius Braga, titular da 16ª DP, Genival se aproveitou do momento de descanso da vítima, uma bombeira civil, para passar a mão por baixo do uniforme. A vítima estava dormindo na ocasião.
Em seu perfil no Facebook, Genival, que é de São Paulo, posa para fotos com revólveres.

Vista do Parque Olímpico. Abaixo, o Velódromo
Vista do Parque Olímpico. Abaixo, o Velódromo

A Gocil, segundo o site do Comitê Rio-2016, tem contrato em vigor com a organização dos Jogos para prestação de serviço de segurança em várias instalações do Parque Olímpico, como o Centro de Mídia (MPC).
O Velódromo vai receber competições de ciclismo durante a Olimpíada. O Comitê Rio-2016 afirmou, por meio de nota que "repudia qualquer violência e desrespeito". Segundo o órgão responsável pela organização dos Jogos, "o caso foi registrado em delegacia para que, se for comprovado, sejam aplicadas as devidas penas de acordo com as leis brasileiras. Ainda segundo o comitê, "todos os funcionários terceirizados são orientados a seguir o código de conduta da Rio-2016, que prega uma conduta profissional".

Genival estava no Velódromo
                 Genival estava no Velódromo

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Olimpíada: Trem e caminhão colidem em Magé, na Baixada Fluminense.

Acidente aconteceu na Avenida Automóvel Clube, em Piabetá
Acidente aconteceu na Avenida Automóvel Clube, em Piabetá Foto: Foto do leitor

Um acidente envolvendo um trem e um caminhão, no início da tarde desta sexta-feira, assustou os moradores de Piabetá, em Magé, na Baixada Fluminense. Segundo a SuperVia, uma composição que seguia de Saracuruna para Vila Inhomirim colidiu com o veículo, que teria ignorado a sinalização de uma passagem em nível, próximo à Estação Piabetá, pouco depois das 14h.
— Eu estava no banco, a 20 metros do cruzamento. Fez um barulho absurdo, parecia uma explosão. Achei até que era no posto de gasolina — contou o advogado Paulo Aberto Soares Lourenço, de 29 anos, que enviou fotos do ocorrido para o Facebook do EXTRA.
Morador de Piabetá, na própria Avenida Automóvel Clube onde ocorreu a batida, Paulo afirma que acidentes semelhantes são comuns naquele ponto. De acordo com ele, o sinal sonoro nem sempre funciona perfeitamente.
— Às vezes, fica disparado vários dias, até alguém da SuperVia aparecer para consertar. Em outras, simplesmente não funciona. Hoje, não posso dizer com certeza o que aconteceu — relata.

O caminhão levava uma carga de pedras
O caminhão levava uma carga de pedras Foto: Foto do leitor

Já a SuperVia informa possuir 38 passagens em nível oficiais, “devidamente sinalizadas de acordo com as exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que preveem a instalação da Cruz de Santo André, e também mantém sinalização sonora e visual nesses locais”. ​​​A concessionária comunicou, por volta das 18h30m, que a circulação do Ramal Vila Inhomirim havia sido normalizada.
Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local do acidente, não havia nenhum ferido. Testemunhas, porém, contaram que o motorista do caminhão, em estado de choque, teria se dirigido a um hospital por meios próprios. A corporação, contudo, não confirmou essa informação.

Acidente ocorreu no início da tarde
Acidente ocorreu no início da tarde Foto: Divulgação


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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Esportes : Neymar é alvo de brincadeiras por conta de novo corte de cabelo

Atacante do Barcelona lança nova moda capilar e faz referência ao pôker


Suárez e Neymar, de visual novo .
Neymar corte cabelo naipe espada blog

Irreverente e brincalhão, Neymar passou a ser o principal alvo das zoações dos companheiros de Barcelona nesta sexta-feira. Tudo porque o craque brasileiro apareceu para treinar com um penteado diferente, com um desenho de um naipe de espadas por trás da cabeça. A escolha do visual está relacionada a um campeonato de pôker que a joia participou.

Piquè, Neymar e Luis Suárez treino BarcelonaQuem descobriu a "invenção" de Neymar foi o lateral-esquerdo Jordi Alba. Em seguida,
 o defensor espalhou para o resto do elenco. Em pouco tempo, o atacante já era o centro das atenções por conta da corte capilar. O zagueiro Piqué foi quem mais brincou com o novo visual do camisa 11.



Neymar passou 56 dias afastado do Barcelona por conta de férias prolongadas, já que participou da Copa América, em junho, no Chile. E o reencontro parece que foi bastante animado.


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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Galo aposta no quarteto de ataque e visita o Newell’s de olho na final

R10, Tardelli, Bernard e Jô não atuam juntos desde a volta das quartas
de final da Taça Libertadores e carregam a esperança da torcida alvinegra

Diego Tardelli e Ronaldinho comemoram gol do Atlético-MG contra o Strongest (Foto: Reuters)
Contra o Newell's, Diego Tardelli e Ronaldinho Gaúcho terão apoio de
Bernard e Jô (Foto: Reuters)

A noite desta quarta-feira reserva muitas emoções para argentinos e brasileiros. Pela primeira vez na história, Newell’s Old Boys e Atlético-MG se enfrentarão, logo em uma semifinal de Taça Libertadores. A partida, que traz enorme carga de ansiedade, está marcada para as 21h50m (de Brasília), no estádio Coloso Del Parque, em Rosário, que terá casa cheia, com cerca de 42 mil torcedores nas arquibancadas.
Alguns jogadores do Atlético-MG, como o atacante Diego Tardelli, entendem que o duelo contra o Newell's é o jogo mais importante de toda a história do clube. O técnico Cuca também falou a respeito e considera o confronto um jogo especial. Mesmo com três titulares fora, a confiança é de um bom jogo. Os zagueiros Réver, suspenso, e Leonardo Silva, contundido, estão fora. Além deles, o volante Leandro Donizete, lesionado, também terá de acompanhar o jogo de Belo Horizonte.
Porém, Cuca tem a seu favor o fato de poder contar novamente com o quarteto fantástico, que encantou o Brasil no primeiro semestre. Ronaldinho Gaúcho, Diego Tardelli, Bernard e Jô não atuam juntos desde o dia 30 de maio, quando o Galo eliminou, de forma dramática, o Tijuana, do México, no Independência, após o empate em 1 a 1. Bernard e Jô tiveram que deixar o time antes da parada do Campeonato Brasileiro, para se apresentarem à Seleção Brasileira, que conquistou a Copa das Confederações. Estão com o moral elevado.
Pelo lado argentino, o técnico Tata Martino, do Newell’s, terá força máxima, já que os três titulares, Heinze, Vergini e Scocco, que tiveram o contrato expirado no último dia 30, conseguiram uma prorrogação e não ficarão fora em um dos momentos mais importantes do clube. Com eles, a equipe tentará dar sequência à boa temporada. O Newell's, recentemente, conquistou o título do Torneio Clausura, embora tenha perdido para o Vélez Sarsfield a disputa da superfinal do Campeonato Argentino.
O cenário é este, e os atores estão confirmados. A TV Globo transmite a a partida, ao vivo e em alta definição, para todo o estado de Minas Gerais, logo depois de Amor à Vida. O Sportv também exibe o confronto. O GLOBOESPORTE.COM, em Tempo Real, acompanha todas as emoções do confronto, a partir das 21h20m.
emoções do confronto, a partir das 21h20m.

header as escalações 2
Newell’s Old Boys: depois de correr o risco de perder três titulares, mais um reserva, por falta de contrato, o técnico Tata Martino terá força máxima contra o Galo. Na dúvida entre Mateo e Cruzado, o comandante optou pelo primeiro. Com isso, o time terá Guzmán; Cáceres, Vergini, Heinze e Casco; Pérez, Mateo e Bernardi; Figueroa, Scocco e Maxi Rodríguez.

Atlético-MG: apesar de ter três desfalques, Cuca já tem a equipe que mandará a campo. Gilberto Silva, Rafael Marques e Josué ficarão com as vagas de Réver, Leonardo Silva e Leandro Donizete, respectivamente. Com isso, o time terá Victor; Marcos Rocha, Gilberto Silva, Rafael Marques e Richarlyson; Pierre, Josué, Ronaldinho Gaúcho, Diego Tardelli e Bernard; Jô.
quem esta fora (Foto: arte esporte)
Newell’s Old Boys: afastado, há mais tempo, por causa de uma lesão, Villalba já trabalha com bola, mas ainda não tem condições de jogar. Ele deverá voltar, pelo menos no banco de reservas, na partida de volta, no dia 10, em Belo Horizonte.

Atlético-MG: Réver terá de cumprir dois jogos de suspensão, pela expulsão após o apito final contra o Tijuana, do México. O reserva Rosinei está na mesma situação, porém pela expulsão contra o São Paulo, na partida de volta das oitavas de final. O volante já cumpriu duas partidas. Leonardo Silva, que rompeu os ligamentos do ombro em um treino também está fora e é dúvida para o jogo da próxima semana. Já Leandro Donizete, outro desfalque, sentiu a coxa, mas, pelo menos, deverá estar em campo no dia 10.
header pendurados (Foto: ArteEsporte)
Newell’s Old Boys: dois jogadores da equipe argentina estão pendurados, o experiente zagueiro Heinze e o volante Pérez.

Atlético-MG: Marcos Rocha, Leandro Donizete e Diego Tardelli estão com dois cartões amarelos.header o árbitro (Foto: ArteEsporte)
O árbitro chileno Enrique Osses é um dos mais conceituados da América do Sul. Tanto que foi o escolhido para estar presente na Copa das Confederações. Foi ele que apitou a partida entre Brasil e Uruguai, no Mineirão, pela semifinal da competição. Enrique Osses, em 2012, ganhou o prêmio de melhor árbitro das Américas. Em relação aos clubes brasileiros, teve passagens importantes. Foi ele que apitou o primeiro jogo da final da Libertadores de 2012, entre Corinthians e Boca Juniors, na Bombonera, em Buenos Aires. Apitou também a polêmica final da Copa Sul-Americana de 2012, entre São Paulo e Tigre. O segundo tempo do jogo não foi realizado, já que os argentinos se recusaram a voltar ao gramado, sob a alegação de que teriam sido agredidos nos vestiários do Morumbi.
header_estatisticas (Foto: arte esporte)
Newell's Old Boys: em casa, o time argentino vai tentar se aproveitar da pressão exercida pela torcida e tentar passar pela zaga reserva do Atlético-MG. Contra o Boca Juniors, pelas quartas de final, foram 11 chutes a gol, sendo que apenas quatro atingiram o alvo. A pouca efetividade no ataque pode ser uma das explicações para o placar em 0 a 0. O aproveitamento do Newell's, em casa, não é dos melhores. Em cinco jogos, foram duas vitórias, duas derrotas e um empate.
Atlético-MG: O Galo confia no retrospecto fora de casa, na atual edição da Taça Libertadores. Em cinco partidas, até o momento, foram três vitórias, um empate e apenas uma derrota, para o São Paulo, na última rodada da primeira fase, quando os mineiros já estavam classificados para as oitavas de final. Esta foi, inclusive, a única vez em que o Atlético-MG passou em branco no placar. Em cinco jogos fora de Belo Horizonte, o time marcou 11 gols.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Felipe Massa: 'Eu acredito no meu potencial, e sempre acreditei'

 Após renovar contrato com a Ferrari, piloto conversa com Galvão Bueno na Itália e garante estar preparado para conquistar o título mundial em 2013



Felipe Massa renovou seu contrato com a Ferrari. São dez anos de história do piloto brasileiro, sendo que sete deles como piloto profissional. Em entrevista exclusiva a Galvão Bueno, em Fiorano, na sala do Comendador Enzo Ferrari, o piloto brasileiro revela a emoção de estar mais uma temporada correndo pela equipe e afirma que se sente preparado para lutar pelo mundial de 2013.


No último Grande Prêmio da Bélgica, o piloto ficou em quinto lugar e fez uma das melhores corridas dos últimos anos. De 2010 para cá, após se recuperar do acidente, Massa não teve um bom desempenho. Com a renovação do contrato, ele espera reconquistar a torcida brasileira, ganhar o campeonato e encerrar a carreira de forma brilhante.


Com um novo contrato, você é um Felipe Massa com a cabeça voltada para o título que você quer, sempre quis e acredita que possa chegar?
Massa - O título é o que mais me interessa. Estou lutando e brigando para conquistar o que quero. Eu acredito no meu potencial, e sempre acreditei.


Mais uma vez você assinou o contrato e continua na Ferrari. O que é continuar na Ferrari e disputar mais um título?
É um sonho que continua. A vontade está ainda maior para conseguir um título e para encerrar uma carreira maravilhosa que eu tenho. Mais um sonho e uma realização pela qual  lutei a minha vida toda para conseguir.


O que é ser piloto Ferrari? O que é viver isso aqui? Dormir na casa do comendador e participar dessa vida?
Isso é um sonho. É algo difícil de você conseguir. Poucos pilotos têm a possibilidade de falar que foram um piloto Ferrari por muitos anos. Eu sou o piloto que mais corridas pela Ferrari fez, depois do Schumacher. Nunca imaginei chegar a essa situação. Lógico que me falta um campeonato, sem dúvida, mas eu quero e vou lutar até o fim para conseguir isso.


Quem o procurou? Como é que foi? Você acordou, tocou o telefone e alguém disse: "Aqui é o Jean Todt, da Ferrari e quero conversar com você..."
Na verdade, eu estava sendo procurado por muitas pessoas no meio da Fórmula 1. Tinha uma pessoa que me patrocinava e me dava uma ajuda para viver na Fórmula 3000. Essa pessoa conhecia o Jean Todt, e com isso arrumou uma reunião.

E a perna? Tremia muito?
Tremia muito. Eu ali conversando com ele em italiano. Lembro que entrei na sala dele, que hoje é a sala do Dominicali. Ele me fez várias perguntas. E falou: “Bom, prazer em conhecê-lo e vou analisar o seu ano. Então, trate de vencer o campeonato e depois a gente volta a conversar.” Eu venci o campeonato, voltei para conversar e assinamos o contrato, que era de oito anos.


A Ferrari é tão importante que, quando você saiu da Sauber para voltar para a Ferrari, recebeu uma proposta da BMW com muito mais dinheiro que poderia ganhar na Ferrari. Deixou o dinheiro de lado para realizar o sonho de pilotar na Ferrari?
Exatamente. Eu tinha três anos de contrato com a BMW no papel e com um salário bem interessante perto do que eu já tinha visto na vida. Mas um ano só de contrato que a Ferrari me propôs foi o suficiente para ir para a equipe certa.


Você fez um ano com o Shumacher e depois vieram dois anos, 2007 e 2008. Em 2007, cedeu uma vitória para o Kimi ser campeão. E em 2008 ele cedeu um segundo lugar para você disputar um título. O que é ser um piloto Ferrari disputando um título mundial?
É uma experiência única. Uma experiência incrível, ainda mais correndo no Brasil. Acho que foi um ano maravilhoso. Não foi na última corrida que eu perdi o título, porque fiz uma excelente corrida. Aconteceu um pouco antes, em outras corridas, em que não consegui chegar por alguns motivos. Mas essa foi uma história muito importante na minha vida.


Aí vem 2009, o acidente... Felipe, você não lembra de nada do acidente?
Não. Eu não sei nem se vi ou não a mola. Eu acho que não vi. Eu tomei aquele tranco e apaguei. O acidente não faz parte da minha memória. Lembro depois, não no momento em que acordei, mas depois de algum tempo eu tenho algumas lembranças do hospital, mas o acidente não faz parte da minha cabeça.


Você queria correr imediatamente depois do acidente, mas só voltou em 2010. Foi melhor? A Ferrari agiu corretamente com você?
Acho que sim. Até porque eu estava bem, você viu. Depois de algum tempo, estava em casa com o machucado, mas estava bem e normal. O caminho certo foi esperar para voltar quando estivesse 100% recuperado.


Felipe, já fizeram essa pergunta pra você várias vezes. Mas, o acidente não tem nada a ver com a falta de resultado?
O acidente não mudou nada do que eu era antes e do que sou hoje. Nada aconteceu dentro de mim. Então, foi uma falta de resultado mesmo o que aconteceu nos últimos anos. Eu posso garantir que não foi acidente.

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