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terça-feira, 30 de julho de 2013

Em cidades de SC, expectativa de vida beira os 80 anos

O Estado de S.Paulo
Os municípios catarinenses de Balneário Camboriú, Blumenau, Brusque e Rio do Sul alcançaram o maior índice de longevidade, 0,894, com a expectativa de vida ao nascer entre 79,61 e 78,64 anos. Os prefeitos das quatro cidades creditam esse resultado principalmente aos trabalhos em saúde preventiva, com ações da infância à terceira idade.

Em Rio do Sul, por exemplo, o Programa Saúde do Trabalhador leva uma unidade móvel até as empresas para realizar exames preventivos e orientar os que precisam de cuidado médico. A iniciativa também oferece palestras e aulas de ginástica.

Em Blumenau, chama a atenção o incentivo à prática esportiva, com atividades no contraturno escolar, e a pulverização de postos de saúde da família pelos bairros. Já Brusque se orgulha de ter 33 academias ao ar livre.

Em Balneário Camboriú, investe-se 34% da arrecadação em saúde pública - o que permitiu criar unidades de atendimento 24 horas e um hospital municipal que atende toda a região.

No outro lado, está Roteiro (AL), com longevidade chegando aos 65 anos. No caso, como o de Alagoas em geral, a questão é a violência. Um exemplo: o prefeito da cidade foi executado em 2006 e um dos suspeitos de matá-lo é acusado de pelo menos 100 homicídios na região.


Foto: Balneário Camboriú - SC.

Após estreia, Neymar prevê emoções diante do Santos: 'Será estranho'

Brasileiro joga 15 minutos no empate com o Lechia Gdansk, na Polônia. E volta a elogiar Messi: 'Um ídolo para mim. Estou feliz de jogar ao seu lado'

Neymar entrou em campo pelo Barcelona. Foram apenas 15 minutos, mas tempo suficiente para sentir o peso da camisa, ver alguns de seus companheiros e se emocionar. Após a sua estreia oficial no empate por 2 a 2 com o Lechia Gdansk, na Polônia, o craque brasileiro falou da importância de sua nova fase na carreira. E do que será enfrentar o Santos, clube que o formou, na próxima sexta-feira, pelo Troféu Joan Gamper.
- Quando entrei para jogar dei graças a Deus. Estou feliz por estrear, é um grande orgulho poder jogar aqui. Defender a camisa do Barcelona é uma alegria. Será um pouco estranho jogar contra o Santos, diferente até, mas darei o meu máximo pelo Barça - resumiu o atacante, que sofreu quatro faltas, acertou cinco passes e perdeu duas bolas no período em que atuou. Ele minimizou os lances mais ríspidos.
- As entradas foram um pouco fortes, mas está tudo bem, não me machucaram.

Enquanto esteve no banco de reservas, Neymar pôde observar bem de perto Lionel Messi. O astro argentino não produziu como em suas melhores noites, mas ainda assim deixou a sua marca após passe preciso de Alexis Sánchez antes de deixar o campo pouco antes da entrada do camisa 11. E recebeu novamente os elogios do brasileiro.
- Messi é uma grande pessoa. Um ídolo para mim. Estou muito feliz de poder futuramente jogar ao seu lado e quero ajudá-lo para seguir dando alegrias ao Barcelona.
Neymar e Messi terão a oportunidade de dividir o mesmo gramado na próxima sexta-feira. Será no aguardado duelo contra o Santos, pelo Troféu Joan Gamper, no Camp Nou. O GLOBOESPORTE.COM, SporTV e TV Globo irão transmitir a partida às 16h30m (de Brasília). Desta vez, o brasileiro deverá começar jogando - ainda que não esteja na forma física ideal.
- Falei pouco com Tata Martino, mas ele me transmitiu toda a confiança da diretoria e dos jogadores. Preciso de um pouco mais de tempo para me adaptar e ficar em forma - encerrou.

Mosaico Neymar estreia Barcelona (Foto: Editoria de Arte)


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Homossexuais não devem ser julgados ou marginalizados, diz Papa

Pontífice também disse que proibição de mulheres sacerdotes é 'definitiva'.
Ele voltou à Itália após participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio.

O Papa Francisco desembarca nesta segunda-feira (29) no aeroporto Ciampino, em Roma (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)
O Papa Francisco desembarca nesta segunda-feira (29) no aeroporto Ciampino, em Roma (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)

O Papa Francisco disse nesta segunda-feira (29) que os homossexuais não devem ser "julgados ou marginalizados" e que devem ser integrados à sociedade.

Conversando com jornalistas a bordo do avião que o levou do Rio a Roma após a Jornada Mundial da Juventude, Francisco também afirmou que, segundo o Catecismo da Igreja Católica, a orientação homossexual não é pecado, mas os atos, sim.
"Se uma pessoa é gay e procura Deus e a boa vontade divina, quem sou eu para julgá-la?", disse, em uma das mais generosas referências aos homossexuais já feitas por um pontífice.
"O Catecismo da Igreja Católica explica isso muito bem", disse. "Ele diz que eles não devem ser marginalizados por causa disso, mas que devem ser integrados à sociedade."
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"O problema não é ter essa orientação. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby por essa orientação, ou lobbies de pessoas invejosas, lobbies políticos, lobbies macônicos, tantos lobbies. Esse é o pior problema", disse.
As declarações foram feitas quando o Papa respondia a uma pergunta sobre o chamado lobby gay do Vaticano.
"Vocês veem muito escrito sobre o lobby gay. Eu ainda não vi ninguém no Vaticano com um documento de identidade dizendo que é gay", brincou.
Mulheres
Francisco também afirmou que a proibição de mulheres sacerdotes na Igreja Católica é "definitiva", apesar de que ele gostaria que elas tivessem mais papéis de liderança nas atividades pastorais e de administração.
"A Igreja falou e disse 'não'... essa porta está fechada", disse, em seu primeiro pronunciamento público sobre o tema como Papa.
Ele se referiu a um documento firmado pelo falecido Papa João Paulo II de que o banimento do sacerdócio feminino era parte dos ensinamentos infalíveis da Igreja e é definitivo.
A Igreja afirma que não pode ordenar mulheres porque Jesus só escolheu homens para serem seus apóstolos. Defensores do sacerdócio feminino dizem que ele estava agindo conforme os costumes daquele tempo.
Banco do Vaticano
O pontífice também disse que o banco do Vaticano, envolvido em uma série de escândalos, deve ser "honesto e transparente", e que ele vai ouvir as recomendações de uma comissão que criou para definir se o banco deve ser reformado ou mesmo fechado.
O Vaticano anunciou nesta segunda que assinou um acordo sobre a troca de informações financeiras e bancárias com a Itália para combater a lavagem de dinheiro, confirmando reportagem da Reuters na semana passada.

O Papa Francisco durante a entrevista coletiva nesta segunda-feira (29) a bordo do avião que o trouxe do Brasil (Foto: Reuters)
O Papa Francisco durante a entrevista coletiva nesta segunda-feira (29) a bordo do avião que o trouxe do Brasil (Foto: Reuters)

Viagem de volta
O avião que transportava o pontífice, um Airbus A330 da companhia Alitalia, aterrissou no aeroporto de Ciampino, em Roma, às 11h25 (6h25 de Brasília), após percorrer os 9.201 quilômetros que separam o Rio de Janeirox da capital italiana.
O Papa desceu a escada do avião carregando a sua maleta preta de mão, que havia chamado a atenção já na viagem de ida.
Do aeroporto, o pontífice foi de helicóptero até o Vaticano, pondo fim a sua primeira viagem internacional como Papa.
O Papa mandou uma mensagem pelo Twitter avisando que chegou, dizendo que sua alegria era maior que seu cansaço.

Reprodução do tuíte do Papa Francisco, nesta segunda-feira (29), avisando sobre sua chegada a Roma (Foto: Reprodução)
Reprodução do tuíte do Papa Francisco, nesta segunda-feira (29), avisando sobre sua chegada a Roma (Foto: Reprodução)


domingo, 28 de julho de 2013

Biquíni de verão? Ibrahimovic rouba a cena em amistoso contra o Real

Centroavante do Paris Saint-Germain passa em branco na derrota por 1 a
0, mas modelito ao fim da partida chama a atenção da imprensa europeia

Zlatan Ibrahimovic passou em branco na derrota do Paris Saint-Germain para o Real Madrid, no últiom sábado, por 1 a 0, em Gotemburgo, na Suécia. Mas foi o centroavante, que atuava "em casa", quem mais chamou a atenção antes, durante e principalmente depois do amistoso.
Tudo por conta do modelito adotado após o apito final. Sem calções e a camisa, Ibrahimovic ficou com uma espécie de biquíni de verão europeu. É o que diz a imprensa europeia sobre os trajes do companheiro de Lucas e Thiago Silva.
Ibrahimovic roupa fim de jogo PSG (Foto: Getty Images)
Biquíni? Ibrahimovic mostrou o corpo após a derrota do PSG para o Real Madrid (Foto: Getty Images)


sábado, 27 de julho de 2013

Jornada Mundial da Juventude bate recorde com público de 3 milhões no Rio

Durante percurso de papamóvel em Copacabana, Francisco beijou bebês, abençoou peregrinos e recebeu presentes

Orla carioca ficou mais cheia do que nas festas de fim de ano - Fábio Motta/AEA Jornada Mundial da Juventude atingiu neste sábado, 27, um recorde com 3 milhões de pessoas em Copacabana, segundo a organização do evento católico. O número de fiéis equivale ao dobro do público registrado nas festas de fim de ano na orla carioca, de acordo com os dados da Prefeitura do Rio de Janeiro. Os peregrinos foram até Copacabana para assistir à abertura da vigília da Jornada Mundial da Juventude, que termina neste domingo, 28.  

No fim da tarde, o papa Francisco deixou a residência Assunção, no Centro de Estudos do Sumaré, e foi levado de helicóptero até o Forte da Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. De lá, o pontífice seguiu de papamóvel pela Avenida Atlântica e acenou para os peregrinos ao longo do trajeto. Pelo menos quatorze seguranças acompanharam o veículo papal ao longo do percurso em Copacabana.

Enquanto Francisco cumprimentava os fiéis, um cortejo carregou a Cruz Peregrina até o palco principal montado para o evento. Como em outros dias de sua visita ao Brasil, o pontífice beijou bebês levados pelos seguranças e abençoou os jovens que foram ao evento católico. O líder da Igreja Católica chegou a descer mais de uma vez do papamóvel para apertar a mão de fiéis, que ficaram entusiasmados com a presença de Francisco.

Vários presentes, como bandeiras e imagens, também foram jogados pelos peregrinos ao pontífice no papamóvel. Pouco antes de chegar à Copacabana, o papa publicou uma mensagem aos seus seguidores em sua conta no Twitter: "Queridos jovens, possam vocês aprender a rezar todos os dias: esse é o modo de conhecer Jesus e fazê-Lo entrar na própria vida".

À espera do papa Francisco, a multidão lotou a praia de Copacabana durante a tarde ouvindo apresentações de bandas e cantores católicos, como o Padre Fábio de Melo. As apresentações ocorreram no palco montado perto do Leme e alto falantes e telões espalhados ao longo da Avenida Atlântica reproduziram os shows por praticamente toda a orla.

'Você é o que lava as mãos?', questiona o papa aos jovens em discurso; veja íntegra

Em cerimônia de representação da via-crúcis, em Copacabana, Francisco cobrou jovens a mudar o mundo e confrontar políticos e desafios sociais; vítimas do incêndio da boate Kiss foram lembradas

Papa durante a representação da via-crúcis, no palco de Copacabana - Wilton Júnior/AE
RIO - O papa Francisco convoca a juventude a confrontar o "egoísmo" da classe política e sua "corrupção", a fome, o racismo, a perseguição ideológica, violência e drogas. Marcando a Igreja com seu estilo, o papa Francisco deu à via-crúcis desta sexta-feira, 26, um sentido político e social. Dos jovens, cobrou uma atitude de "coragem" para mudar o mundo e, com a cruz, desafiar os problemas vividos pela sociedade. "Você é o que lava as mãos e vira para o outro lado?", questionou o papa à multidão.

No final da cerimônia, o pontífice pediu oração aos jovens que morreram na tragédia da boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, em janeiro deste ano.

Na praia de Copacabana, o argentino levou milhares de jovens para acompanhar a encenação da Via Sacra, depois de causar uma verdadeira histeria em seu trajeto pela orla.

Deixando claro que seu pontificado dará uma dimensão social ao evangelho, o papa foi além e cobrou da juventude internacional uma atitude para confrontar as mazelas do mundo. "Você é o que lava as mãos, se faz de distraído e vira ao outro lado?", questionou o papa à multidão, comparando a atitude a de Pilatos, que lavou as mãos diante da crucificação de Jesus. "Jesus olha agora e te diz: quer ajudar a levar a cruz?", apontou o papa.

Francisco optou por transformar a cruz e as imagens das estações do sofrimento de Jesus em alusões aos desafios sociais e políticos. "Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos", declarou o papa.

"Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, como os 242 que morreram em Santa Maria. Rezemos por eles. Ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga", disse o papa, em mais uma referência nesta viagem ao problema da dependência química.

Outro alerta de Francisco é para o desafio da fome, numa crítica explícita ao desperdício de setores inteiros da sociedade, enquanto milhões não tem o que comer. "Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida", alertou.

No discurso, falou pela primeira vez do racismo presente na sociedade, além dos problemas de intolerância religiosa. "Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias ou pela cor da pele", apontou.

O tradicional ato de devoção da Igreja não escapou ao estilo que o papa começa a implementar, transformando a Igreja em um centro do debate inclusive político. "Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho", declarou o papa.

Para o pontífice, os jovens não devem temer e precisam sair a enfrentar esses obstáculos. "Na Cruz de Cristo, está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida", disse Francisco.

Há dois dias, o papa já havia incentivado os jovens brasileiros a lutar contra a corrupção. Agora, usa o símbolo da cruz para insistir que não podem se dar por derrotados. "Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida", declarou.

O papa ainda fez questão de lembrar aos jovens brasileiros que a luta, na forma de cruz, esteve sempre presente na história do País. "O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A Cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro".


Veja a íntegra do discurso:

"Queridos jovens,

Viemos hoje acompanhar Jesus no seu caminho de dor e de amor, o caminho da Cruz, que é um dos momentos

fortes da Jornada Mundial da Juventude. No final do Ano Santo da Redenção, o bem-aventurado João Paulo II quis confiá-la a vocês, jovens, dizendo-lhes: "Levai-a pelo mundo, como sinal do amor de Jesus pela humanidade e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção"

A partir de então a cruz percorreu todos os continentes e atravessou os mais variados mundos da existência humana, ficando quase que impregnada com as situações de vida de tantos jovens que a viram e carregaram. Ninguém pode tocar a cruz de Jesus sem deixar algo de si mesmo nela e sem trazer algo da cruz de Jesus para sua própria vida. Nesta tarde, acompanhando o Senhor, queria que ressoassem três perguntas nos seus corações: O que vocês terão deixado na cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou seu imenso País? E o que terá deixado a cruz de Jesus em cada um de vocês? E, finalmente, o que esta cruz ensina para a nossa vida?

1. Uma antiga tradição da Igreja de Roma conta que o apóstolo Pedro, saindo da cidade para fugir da perseguição do imperador Nero, viu que Jesus caminhava na direção oposta e, admirado, lhe perguntou: "Para onde vais, Senhor?".E a resposta de Jesus foi: "Vou a Roma para ser crucificado outra vez". Naquele momento, Pedro entendeu que devia seguir o Senhor com coragem até o fim, mas entendeu sobretudo que nunca estava sozinho no caminho; com ele, sempre estava aquele Jesus que o amara até o ponto de morrer na cruz. Pois bem, Jesus com a sua cruz atravessa os nossos caminhos para carregar os nossos medos, os nossos problemas, os nossos sofrimentos, mesmo os mais profundos. Com a cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda de seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga; nela Jesus se une a todas as pessoas que passam fome, num mundo que todos os dias joga fora toneladas de comida; nela Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho.

Na cruz de cristo está o sofrimento, o pecado do homem, o nosso também, e Ele acolhe tudo com seus braços abertos, carrega nas suas costas as nossas cruzes e nos diz: Coragem! Você não está sozinho a levá-la! Eu a levo com você. Eu venci a morte e vim para lhe dar esperança, dar-lhe vida.

2. E assim podemos responder à segunda pergunta: o que foi que a cruz deixou naqueles que a viram, naqueles que a tocaram? O que deixa em cada um de nós? Deixa um bem que ninguém mais pode nos dar: a certeza do amor inabalável de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo, entra também na morte para derrotá-la e nos salvar. Na cruz de Cristo, está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. Queridos jovens, confiemos em Jesus, abandonemo-nos totalmente a Ele! Só em cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida.

O primeiro nome dado ao Brasil foi justamente o de "Terra de Santa Cruz". A cruz de Cristo foi plantada não só na praia, há mais de cinco séculos, mas também na história, no coração e na vida do povo brasileiro e não só: o cristo sofredor, sentimo-lo próximo, como um de nós que compartilha o nosso caminho até o final. Não há cruz, pequena ou grande, da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar conosco.

3. Mas a Cruz de Cristo também nos convida a deixar-nos contagiar por este amor; ensina-nos, pois, a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre, quem tem necessidade de ajuda, quem espera uma palavra, um gesto; ensina-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão. Tantos rostos acompanharam Jesus no seu caminho até a Cruz: Pilatos, o Cirineu, Maria, as mulheres... Também nós diante dos demais podemos ser como Pilatos que não teve a coragem de ir contra a corrente para salvar a vida de Jesus, lavando-se as mãos. Queridos amigos, a cruz de Cristo nos ensina a ser como o Cirineu, que ajuda Jesus levar aquele madeiro pesado, como Maria e as outras mulheres, que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura. E você como é? Como Pilatos, como o Cirineu, como Maria?

Queridos jovens, levamos as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os nossos fracassos para a cruz de Cristo; encontraremos um coração aberto que nos compreende, perdoa, ama e pede para levar este mesmo amor para a nossa vida, para amar cada irmão e irmã com este mesmo amor. Assim seja!"

A religiosos, papa faz apelo por mudança de atitude da Igreja

Pontífice pediu que religiosos se aproximem das periferias e dos jovens

RIO - O papa Francisco pediu a bispos e sacerdotes que deixem suas paróquias e ganhem as periferias para pregar e levar a mensagem da Igreja. Durante missa na Catedral Metropolitana do Rio, neste sábado, 27, o pontífice fez um apelo para uma mudança de atitude da Igreja. A cerimônia foi apenas para religiosos que participaram da Jornada Mundial da Juventude. "Não podemos ficar encerrados na paróquia, nas nossas comunidades, quando há tanta gente esperando o Evangelho", disse. "Não se trata simplesmente de abrir a porta para acolher. Mas de sair pela porta fora para procurar e encontrar", alertou.

'Não podemos ficar encerrados na paróquia', disse o papa - ReproduçãoComo já vem indicando em praticamente todos seus discursos, o papa voltou a insistir para a importância de a Igreja atuar entre os mais pobres, de chegar às periferias. "Decididamente, pensemos a pastoral a partir da periferia, daqueles que estão mais afastados, daqueles que habitualmente não frequentam a paróquia", declarou. "É nas favelas, nas Villas miserias (equivalente às favelas na Argentina), que nós devemos ir procurar e servir a Cristo", disse.

O papa ainda voltou a pedir para que os sacerdotes não se esqueçam de que têm a missão de evangelizar. "É nosso compromisso ajudar a fazer arder o desejo de serem discípulos missionários de Jesus", disse. Para ele, não é necessário sair de seus países para cumprir a missão. "O primeiro lugar onde evangelizar é a própria casa", disse, em relação ao batizado. Trabalho, amigos e família". Educar para essa missão, segundo ele, é fundamental. "Eduquemos para o jovem para a missão, para sair", insistiu.

Em uma catedral lotada, ele ainda insistiu que a Igreja não pode repetir a cultura do "descartável" na sociedade, excluindo jovens e idosos. Para ele, sacerdotes precisam ir também contra a corrente de "eficiência e pragmatismo". "Solidariedade e fraternidade são os elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana", insistiu, apelando que religiosos sejam seja servidores da comunhão e da cultura do encontro.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Papa pede a jovens que não desanimem nem percam a esperança na luta contra a corrupção

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Rio de Janeiro – Em discurso durante visita à comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, o papa Francisco fez um apelo às autoridades públicas, aos mais ricos e à sociedade em geral para que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ele pediu políticas nas áreas de educação, saúde e segurança e dignidade às pessoas.

O pontífice fez um pedido especial aos jovens para que não percam a confiança em um mundo melhor. “Vocês, jovens, têm uma sensibilidade especial diante das injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam da corrupção de pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram seu próprio benefício. Nunca desanimem, nunca percam a confiança. Não deixem que se apague a esperança, a realidade pode mudar. O homem podem mudar. Procurem ser vocês os primeiros a procurar o bem”, disse.

O papa falou do esforço da sociedade brasileira em combater a fome e a miséria, e destacou que as pessoas não podem virar as costas para os mais pobres. “Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que abandona na periferia parte de si mesma. Ela simplesmente empobrece. Não deixemos entrar em nossos corações a cultura do descartável, porque somos irmãos e ninguém é descartável”, disse.

O discurso foi pontuado por alguns momentos de descontração do papa. Em um trecho, ele disse que gostaria de bater à porta de cada casa brasileira para “dizer bom dia, pedir um copo de água fresca, beber um cafezinho. Não um copo de cachaça”, disse para risos da plateia que se aglomerou no campo de futebol, onde ocorreu o discurso.

Em outro momento, o papa disse que o brasileiro é solidário e sempre busca compartilhar comida com quem tem fome. “Quando alguém que precisa comer bate à porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida. Como diz o ditado: sempre se pode colocar mais água no feijão”, brincou o pontífice.

Francisco encerrou seu discurso dizendo que ele levará a comunidade de Varginha em seu coração.   O papa chegou à favela por volta das 10h40. Mesmo com a chuva, milhares de moradores do Complexo de Manguinhos, uma das áreas mais pobres da cidade, acompanharam o papa Francisco à favela.

Na chegada à comunidade, muitas pessoas gritavam o nome do pontífice e algumas faixas foram estendidas nas grades, contra as remoções forçadas e pedindo justiça pelos mortos nas comunidades.

Logo que chegou a Varginha, o pontífice saiu do carro fechado e subiu no papamóvel. Durante o trajeto, ele parou várias vezes para abençoar crianças, que eram levadas até ele por seus próprios pais ou por seguranças. Depois, o pontífice fez uma oração na capela São Jerônimo, onde se encontrou com crianças da catequese. Uma delas é João Pedro Ferreira da Silva, 15 anos, coroinha da capela.

A mãe dele, Cleonice Ferreira de Lima, cozinheira, se sente privilegiada pela oportunidade, mesmo não podendo entrar no local. "Sinto uma emoção muito grande, meu filho vai ser abençoado."

Ao sair da capela, ele caminhou pela comunidade e continuou cumprimentando moradores e abençoando crianças, mesmo cercado por forte esquema de segurança. Várias pessoas deram presentes ao papa, inclusive uma faixa do San Lorenzo, time de futebol do qual Francisco é torcedor. No meio do trajeto e pouco antes de iniciar seu discurso, ele entrou em uma casa da comunidade.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Lama e falta de planejamento alteram principais eventos do papa no Brasil

Lamaçal em que se transformou o Campus Fidei, onde seriam realizadas a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, na zona oeste do Rio, causou a transferência dos eventos para Copacabana


RIO - O lamaçal em que se transformou o Campus Fidei, área onde seriam realizadas a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude em Guaratiba, na zona oeste do Rio, levou os organizadores e a prefeitura a transferir os eventos para Copacabana, bairro da zona sul que já recebeu as primeiras cerimônias da JMJ. O Estado adiantou quarta-feira, 24, que a área já sofria com as chuvas e a programação poderia sofrer alterações.

A mudança obriga a prefeitura a reorganizar as estruturas de transporte, segurança e atendimento médico, e aumenta as dúvidas sobre a capacidade para organizar grandes eventos. Esse foi o terceiro contratempo enfrentado pela organização da Jornada desde que o papa chegou à cidade. Primeiro, houve um erro de trajeto, que deixou o pontífice preso em um congestionamento, na segunda-feira. No dia seguinte, uma pane no metrô e a superlotação do transporte público dificultaram o deslocamento dos peregrinos que foram à abertura oficial em Copacabana.

Por causa da mudança anunciada na quinta-feira, 25, foram descartadas duas etapas da programação: a peregrinação (uma caminhada de 13 km para chegar ao Campus Fidei) e a vigília que duraria a noite inteira, entre o sábado e o domingo. Agora, a programação será interrompida no sábado, após a Vigília de Oração com o papa Francisco (que começará às 19h30 de sábado), e retomada às 10h de domingo, quando o pontífice vai celebrar a missa de encerramento. Essas cerimônias ocorrerão no mesmo palco onde Francisco esteve na noite de quinta.

Embora a região de Guaratiba seja constantemente úmida e sujeita a alagamentos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), não considerou um erro a escolha do local. "Não podemos avaliar este evento como os outros", disse. Ele também ressaltou não ter "problemas em admitir nossos erros (citando as falhas no trajeto do papa e no sistema de transporte)". E citou a imprevisibilidade do clima, dizendo que, neste período do ano, o principal problema da cidade costuma ser a seca.

Dom Paulo Cesar Costa, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, admitiu que a mudança na programação frustrou o papa Francisco. "É uma dor muito grande (transferir o evento de Guaratiba), por todo o trabalho que fizemos por lá", disse. Mas, ao saber dos problemas, "o papa apoiou a mudança".

Prejuízo. Dom Paulo afirmou que ainda não sabe quanto foi gasto para preparar o Campus Fidei. Guaratiba foi escolhida em 2012. Além do grande espaço livre, pesou na escolha o fato de a Igreja querer promover parte da JMJ em uma área pobre do Rio. O terreno do Campus Fidei tem 2 milhões de m² e foi cedido gratuitamente por seus donos, entre eles Jacob Barata Filho, dono de empresas de ônibus.

Em troca, os donos se beneficiaram com obras de terraplanagem e de infraestrutura feitas no entorno. Paes afirmou que o único gasto da prefeitura foi com a dragagem dos rios de Guaratiba. Os outros gastos foram do Comitê Organizador Local, disse. "Mas não vou transformar a visita do papa em um jogo de contabilidade, de ganhos econômicos."

Maior evento do papa muda por falha no planejamento

CAPA DO DIA: esse é o destaque do jornal nesta sexta-feira. Último evento com papa precisou ser alterado por causa de lamaçal causado pela chuva.  FALTOU O PADRÃO :  F I F A

Papa critica ‘pacificação’ de favelas e desigualdade e dá apoio a manifestantes

Em visita à comunidade de Varginha, no Rio, Francisco fez um dos discursos de cunho social mais importantes de seu pontificado

RIO - O papa Francisco atacou a estratégia de "pacificação" das favelas no Rio de Janeiro, alertando que, enquanto a desigualdade social não for resolvida, "não há paz duradoura". Nesta quinta-feira, 25, em plena Favela da Varginha, no Rio, ele fez um dos discursos de cunho social mais importantes de seu pontificado e convocou os jovens a continuar pressionando por melhorias, em um sinal de seu apoio aos manifestantes que tomaram as ruas do Brasil desde junho.

Papa desfila de papamóvel na Favela da Varginha - Andre Penner/APO papa ainda completou: a grandeza de uma nação só pode ser medida a partir de como ela trata seus pobres, numa referência indireta à insistência do governo de vender o Brasil como uma das maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, não dar uma solução às suas favelas.

Francisco chega a reconhecer os avanços sociais promovidos pelo governo. Mas alerta que isso ainda não é suficiente e que a pacificação de favelas, como a que ele visita, não pode ser feita com armas. "Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria", disse.

Pacificação. "Nenhum esforço de pacificação será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma", declarou ainda o papa durante o discurso. E alertou: "Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma, perde algo de essencial para si mesma."

O papa disse ainda que "somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade". "Tudo aquilo que se compartilha se multiplica. A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, que não tem outra coisa senão a sua pobreza."

Manifestações. Ele ainda manifestou seu apoio a todos aqueles no Brasil que lutam por mudanças sociais, em uma referência aos protestos que ganharam as ruas do País desde junho.

Atacando a corrupção e o fato de a periferia ser abandonada por políticos, o papa deixou claro que a Igreja vai apoiar o movimento mais amplo de exigências por melhorias. Fontes no Vaticano confirmaram ao Estado que essa foi a forma pela qual o papa optou por lançar seu recado aos manifestantes. A opção foi a de evitar a palavra "protestos", mas ainda assim fazer um apelo para que a pressão contra a classe dirigente continue.

"Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens", disse. "Vocês possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio beneficio", declarou.

"Também para vocês e para todas as pessoas eu repito: nunca desanimem, não percam a confiança", insistiu. "A realidade pode mudar, o homem pode mudar."

Francisco ainda apelou à população que não se deixa "acostumar ao mal, mas a vencê-lo". O papa ainda garantiu: "Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o papa está com vocês".

Às autoridades, o apelo foi para que "trabalhem por um mundo mais justo". "Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo", disse. "Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que regula nossa sociedade. Mas sim a cultura da solidariedade", insistiu.

Educação. O papa ainda aproveitou seu discurso na favela para voltar a defender alguns dos pilares do dogma da Igreja: a família e a vida, "que deve ser sempre tutelado e promovido".

O papa pediu uma educação de qualidade e com valores, e não apenas um sistema que tem como metas "uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucros".

Leia a íntegra do discurso do papa Francisco na Favela da Varginha:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer "bom dia", pedir um copo de água fresca, beber um "cafezinho", não um copo de cachaça, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil. Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda acolhida! Agradeço a Dom Orani Tempesta e ao casal Rangler e Joana pelas suas belas palavras.

Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela - um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode "colocar mais água no feijão"! Se pode colocar mais água no feijão? Sempre? E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração!

E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Quase parece um palavrão: solidariedade. Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, não é, mas sim a cultura da solidariedade, a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão, e todos nós somos irmãos.

Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de "pacificação" será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos, ninguém é descartável. Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! Pensemos na multiplicação dos pães de Jesus. A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Fome de dignidade. Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano.

Queria dizer uma última coisa, uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam da corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).

Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho lhes concedo a minha bênção. Obrigado!

Fiéis lotam Copacabana em cerimônia com o papa

Milhares de fiéis compareceram à praia de Copacana nesta quinta-feira, 25, onde o papa Francisco fez sua primeira participação oficial na Jornada Mundial da Juventude. Francisco chegou às 17h15 horas no Forte de Copacabana e desfilou pela avenida Atlântica no papamóvel até o palco no Leme. Lá,  foi celebrada a cerimônia de Acolhida, com público estimado em mais de 1,5 milhão de pessoas. Em seu discurso, o pontífice apelou aos jovens para que valorizem a espiritualidade e elogiou os peregrinos que resistiram ao mal tempo para participar do evento. "Sempre ouvi dizer que os cariocas não gostam do frio e da chuva, mas vocês estão mostrando que a fé de vocês é mais forte do que o frio e a chuva", disse.
Na tarde desta quinta-feira, a organização do evento confirmou que a vigília e a missa de encerramento da Jornada serão transferidas de Guaratiba, na zona oeste do Rio, para Copacabana. O terreno de Guaratiba, onde já estava montado o palco, ficou enlameado por causa das chuvas que atingem a cidade desde terça-feira.
No quarto dia da viagem, o papa visitou a Favela da Varginha, na zona norte do Rio, onde criticou a estratégia de "pacificação" das favelas e cobrou ações das autoridades contra a desigualdade social. Antes, participou de cerimônia na Prefeitura do Rio, na qual recebeu as chaves da cidade e abençoou as bandeiras dos Jogos de 2016. À tarde, encontrou com 5 mil argentinos na Catedral Metropolitana.



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