Dirigente manteve alianças com 'rincões esquecidos' do futebol
As Ilhas Cayman têm uma das piores seleções do mundo, o futebol
não é o principal esporte do país e sua população inteira caberia
dentro do Maracanã. Ainda assim, desde 2008, a Fifa enviou para
a ilha quase US$ 2 milhões para a construção de dois campos de
futebol. Em março de 2014, mais US$ 500 mil foram destinados ao
país, com a promessa de que o dinheiro seria usado para a
construção de gramas artificiais. Sete anos depois, nem os campos
nem o gramado existem.
Nos rincões mais esquecidos do planeta, nos locais menos
tradicionais para o futebol e nas cidades mais marginais dos
centros de poder, a Fifa está presente. Nos últimos 20 anos,
Joseph Blatter construiu sua base de poder proliferando campos
de futebol. Mas, junto com eles, vieram agrados, dinheiro e
subornos a cartolas que passaram a ser aliados incondicionais. Na
prática, era um sistema que o garantia votos e cinco vitórias
seguidas em eleições. Em troca, Blatter não perguntava muito qual
era o destino do dinheiro para 'o desenvolvimento do futebol'.
Ao total, a Fifa já gastou mais de US$ 284 milhões na construção
de 668 campos de futebol pelo mundo. Cada um deles, em média,
custa US$ 565 mil, um investimentos que traz um retorno
esportivo medíocre. Mas uma aliança política sólida.
No centro do escândalo está o projeto Goal, destinado a levar o
futebol a locais pobres, com a construção de centros de
treinamento, campos e infraestrutura. Mas a realidade é que,
segundo auditores e mesmo dirigentes, o dinheiro em muitos casos
jamais chegou aos jogadores.
Em cada um desses locais, placas em homenagem a Blatter, bustos
e fotos marcam a homenagem que o paíssede faz ao cartola suíço
Mas os escândalos sobre o uso desse dinheiro do futebol se
proliferaram na mesma velocidade que sua imagem pelo mundo.
Auditorias revelaram que, em muitos dos casos, parte do dinheiro
foi para o bolso dos dirigentes ou usado de uma forma que acabou
enriquecendo esses oligarcas da bola.
Uma das entidades envolvidas num escândalo é a Federação de
Futebol do Nepal. Uma auditoria constatou que a entidade
realizou 'movimentos inapropriados de fundos' e seu presidente,
Ganesh Thapa, passou a ser investigado. Na Fifa, nenhum aliado é
punido. Zurique enviou auditores da KPMG que sugeriram
'mudanças importantes' no funcionamento da entidade e dos
gastos com projetos sociais. Uma vez mais, a palavra corrupção
nem sequer entrou no vocabulário dos cartolas.
HUMANITÁRIO
Um dos casos mais importantes de desvio de dinheiro ocorreu com
Manilal Fernando, exmembro do Comitê Executivo da Fifa e
chefe do futebol do Sri Lanka. Ele simplesmente teria usado
dinheiro destinado às vítimas do Tsunami na Ásia para
enriquecimento pessoal.
No Paquistão, depois de um terremoto em
